Oswaldo Petrin
-A estabilidade da moeda reduziu o campo do mercado financeiro e os poupadores (especuladores) migraram para outros investimentos. Os bancos perderam o mercado e o cliente, que virou, no máximo, correntista raso. Os bancos tiveram que lançar novos produtos e serviços. Alguns foram competentes no marketing e souberam lidar bem com o novo perfil do cliente. O Banco do Brasil não foi exceção: decidiu investir na clientala de economia mais modesta, que apresenta renda menor, nem por isso desprezível, enquanto fatia de mercado. O perfil desse segmento pode ser resumido assim: baixa renda mas adimplência garantida. Assalariado, aspirante a classe média, que quer andar em dia e morre de medo de cair nas malhas da Serasa.
-Aliás, é justamente esta a justificativa do Banco do Brasil: a baixa inadimplência dos consumidores de menor poder aquisitivo está levando a instituição a colocar à disposição uma linha nova de serviços, com cheque especial, cartão de crédito, pessoal e até home baking - esta que possibilita a consulta pelo compotador, via Internet, com provedores.
-Está certo o BB. Desde a consolidação da estabilidade da moeda o sistema financeiro como um todo se voltou mais para as os empréstimos às pessoas físicas. Estes empréstimos aumentaram muito a julgar pelo crescimento do volume financiado: 95,5% no período de 12 meses encerrado no final de julho último, movimentando cerca de R$ 25,5 bilhões. No mesmo período, os empréstimos ao comércio caíram quase 10% e empréstimos à indústria cresceram 18%, abaixo da taxa Selic de 24,3% acumulada no período, segundo fonte do Banco Central. O total de empréstimos ao setor privado no final do primeiro semestre teria chegado a R$ 200 bilhões.
-As financeiras seguem o mesmo rumo: incursionam pelas linhas de crédito pessoal tendo como alvo os consumidores que ganham entre dois e 20 salários-mínimos. Existem hoje no País 33 milhões de pessoas com esse nível de renda, segundo dados levantados em julho por uma dessas instituições, a Fininvest, e divulgados na oportunidade. As financeiras acham que ao facilitar o crédito a provação do crédito - até por telefone - estão procurando oferecer um tratamento diferenciado para uma faixa de consumidores que não recebiam um bom tratamento nas instituições financeiras; não tinha acesso a empréstimos bancários e acabava recorrendo a agiotas toda vez que precisava de dinheiro.
-Descendo um pouco mais no nível de pretensão, os bancos vão encontrar um tipo de cliente que demanda crédito pessoal em valores que oscilam entre R$ 250,00 e R$ 350,00, para cobrir buracos do orçamento. A tendência é de ele se disciplinar e passar a usar o crédito pessoal como uma ferramenta para planejar as suas compras. Segundo um diretor do Banco Santos, ouvido dias atrás pela Agência Estado, o que mais vale para o consumidor é ter crédito, não dinheiro. Novidade





