Mercado ousado ignora Usda


Indiferente aos números do relatório do Usda, o mercado físico da soja, ontem no Paraná, foi mantido no mesmo patamar de quarta-feira. A pouca disponibilidade do grão (no início da semana restava cerca de 10% da colheita 2001/2002 para ser comercializada) manteve o ritmo comprador. Nos próximos dias, a disputa das indústrias pela matéria-prima pode ser mais acirrada.
Veja os preços do dia na página 2 (commodities).
Vale dizer que esse comportamento do mercado interno não é comum e que o peso da demanda poucas vezes exerceu influência tão forte no balcão.
Foi ajudado, convenhamos, pela variável cambial (R$ 3,126), mas ignorou completamente seu fiel parâmetro aferidor de tendências: a Chicago Board of Trade.
Agentes do mercado já esperavam um relatório ''baixista''. Na verdade, o relatório mensal do Usda sobre a oferta e a demanda mundiais de grãos, não trouxe novidade.
De acordo com o Usda, a produção de soja em grãos nos Estados Unidos atingirá 72,28 milhões de t, um pequeno aumento de 750 mil t sobre os 71,53 milhões de t projetados em agosto. O mercado trabalhava com a expectativa de reajuste positivo entre 1,0 milhão e 1,5 milhão de t.
As exportações estadunidenses de soja em grão são estimadas em 23,13 milhões de t, aumento de 810 mil t. Os estoque finais passam de 4,21 milhões para 4,36 milhões de t. Os números do farelo de soja e óleo de soja são praticamente os mesmos.
O relatório manteve as projeções das importações chinesas em 14,0 milhões de t, muito abaixo das expectativas do mercado.
Na Argentina, registra-se o crescimento de 1,0 milhão de t na projeção da safra 2002/03, passando a 31,0 milhões de t, bem abaixo dos 34 milhões de t projetados preliminarmente pelo governo argentino e por empresas privadas do país.
Entrevistado sobre a influência desse quadro, o analista Adriano José Timossi observou ontem que os dados são contrários aos do Brasil, na safra que termina, em relação à qual o USDA trabalha ainda com uma produção de 43,5 milhões de t (e o mercado em torno de 42,0 milhões de t). Já para a próxima safra de 2002/03, o Usda trabalha com 48,5 milhões de t para o Brasil.
Trigo --- A safra mundial de trigo fica em 573 milhões de t, queda de 1,1% sobre a anterior. Em algumas regiões a quebra foi forte. A Austrália produzirá 9 milhões de t a menos. No Canadá, a quebra será de 10 milhões de t.
A safra de trigo nos EUA se manterá nos 46 milhões de t, queda de 14%. Em comparação aos 61 milhões de t de 2000/1, queda de 25%.
Países importadores de trigo, como o Brasil, terão dificuldade para importar matéria-prima no ano que vem.
Folha Rural --- Reportagem na Folha Rural, amanhã, sugere aos fazendeiros que é hora de planejar a estação de monta, que organiza a época de nascimento e facilita o manejo.
Folha Rural 2 --- E a história da pequena agricultora de Uraí, que virou gerente de banco, sem perder a intimidade com a lavoura.

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