OSWALDO PETRIN
Marca do sucesso
A alta no preço da soja, ontem, não foi resultado das especulações que fazem parte da rotina da Bolsa. Hoje, o preço pode desabar pela habitual ''realização de lucros''. Mas pode sinalizar preços firmes por um bom tempo. Esta é a hipótese mais provável.
Tudo depende do que será mostrado pelo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) que será conhecido agora pela manhã.
O fato é que os contratos com vencimento em setembro apresentaram uma marca interessante - já sinalizada ontem nesta coluna - aproximando-se dos US$ 6,00/bushel (1 bushel equivale a 27,216 kg). Foram exatos US$ 5,91/bushel (US$ 13,03 saca). Mais do que na terça-feira, portanto, mostrando um mercado em ascensão.
Quando isso acontece o mercado interno vibra. Os reflexos são muitos. A soja está vivendo seus melhores momentos, como nos anos 80.
No Porto de Paranaguá houve negócios até por R$ 42,20/saca. Em Ponta Grossa, R$ 41,00. E preços menores, porém valorizados, em todo o interior: R$ 41,50 em Maringá. Obviamente que esses são os preços máximos. (Veja mais na página 2).
Nunca os agricultores estiveram tão atentos aos movimentos da Chicago Board of Trade, o templo, do mercado de commodities.
O relatório: Nesse documento, dois pontos principais deverão exercer influências sobre o pregão de hoje e de muitos dias, talvez até o final de setembro. O primeiro diz respeito à safra de soja dos EUA, estimada no último relatório em 71,53 milhões de t.
O segundo ponto é a demanda mundial, com destaque para as importações chinesas, projetadas em 14,0 milhões de toneladas, volume abaixo das expectativas do mercado. Fontes: FNP, Adriano J. Timossi, trades e corretores de Bolsa.
Rastreamento --- Os frigoríficos vão acabar prejudicando um projeto bom, que é a rastreabilidade da carne bovina. É que eles estão tentando transferir os custos do acompanhamento (entre R$ 5,00 e R$ 7,00/cabeça) para os pecuaristas.
Esses custos referem-se ao acompanhamento do animal desde o nascimento, no caso das carnes destinadas à exportação.
Pecuarista não vende carne, vende boi - argumentam os fornecedores.
Lembrando -- A partir deste mês, de acordo com a nova regulamentação do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), feita pelo Ministério da Agricultura, será obrigatória a rastreabilidade total para toda a carne destinada à exportação.
A determinação acaba com a rastreabilidade parcial caracterizada pelo acompanhamento do animal somente a partir da sua entrada no frigorífico.
Com a nova medida, a rastreabilidade tem que ser feita desde o nascimento até o momento em que a carne é processada e vai para a mesa do consumidor.
O presidente da Sociedade Rural Brasileria, João Almeida Sampaio Filho, manda o recado: ''Vamos defender a iniciativa pela qual os frigoríficos é que devem ser os responsáveis pelas despesas relativas a rastreabilidade total'', diz
''O pecuarista não trata diretamente da exportação e, portanto, não deve arcar com este custo''. Além disso, segundo ele, quem ganha mercado com a medida é a indústria frigorífica.





