OSWALDO PETRIN
Soja, o seguro
contra turbulências
Poucas vezes, nos últimos anos, a venda antecipada de soja atingiu volume tão grande como nesta safra 2002/03, que começa a ser plantada em outubro/novembro. Chega a 40% da produção total (24% no mesmo período do ano passado).
O motivo são os sucessivos picos nos fechamentos dos contratos futuros da Bolsa de Chicago. Ontem, por exemplo, a cotação passou a marca de US$ 5,00/bushel, chegando a US$ 5,81.
Também exerceu inlufência a forte disparidade cambial em agosto. O dólar comercial continua alto: ontem R$ 3,1350/compra e R$ 3,1370/venda (+1,19%).
A venda antecipada só não foi maior porque há agricultores abrigando seus investimentos na soja, um ativo real confiável em tempo de política e economia à deriva. Eles não vendem.
A FNP informou ontem que a safra brasileira é projetada em 48,5 milhões de t. O Centro-Oeste (47% da safra nacional), já comercializou 58% de uma colheita estimada em 22 milhões de t. Os valores fixados variaram entre US$ 8,50 e US$ 10,00/saca para entrega na colheita.
Na região Sul, de 10,4 milhões de t produzidas no Paraná, o segundo estado maior produtor do país, responsável por 22% da produção total, 22% da safra 2002/03 já foram negociados. RS fechou menos, 12%.
A soja continuará em ascensão, enquanto houver a Bolsa de Chicago, disse ontem um operador de mercado, prevendo aceleração nas vendas.
Não é bem assim. O ''mercado de clima'' acabou exatamente nesta semana, com a estabilidade do tempo no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
É verdade também que a Chicago Board of Trade voltou a fechar em alta, grande alta, pelo segundo dia consecutivo, ontem. Os contratos com vencimento em novembro próximo fecharam a US$ 5,81/bushel (US$ 12,81/sc)
Para simples comparação, em 10 de novembro de 2001 as cotações para novembro fecharam a US$ 4,80/bushel (US$ 10,58/saca de 60 kg). A firmeza do mercado deve-se ao bom desempenho do mercado de opções.
Nesse mercado uma única companhia teria negociado um grande volume de contratos (5 mil) a US$ 6,00/bushel para novembro.
Sobre soja veja mais na página 2 (indicadores)
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Crescimento - Se o fraco crescimento da indústria brasileira preocupa as alemãs Siemens, Daimler, Bosch, Basf e outras, elas deviam olhar o desempenho do agronegócio.
Crescimento 2 --- O aumento da safra de grãos, que atingiu 98,6 milhões de t no ano passado, aliado à recuperação dos preços dos produtos, fez com que o PIB da agricultura registrasse crescimento recorde de 8,18% no primeiro semestre. (Fonde: assessoria da CNA, ontem).





