Porco garante
EGF para milho


O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem voto que permite às cooperativas e indústrias substituírem por carne suína e frangos o penhor do milho dado como garantia nas operações dos Empréstimos do Governo Federal (EGF).

O voto aprovado pelo Conselho incluiu o milho nas regras que permitem que até 10% dos recursos obrigatórios - as exigibilidades bancárias - sejam utilizados em operações de desconto de Nota Promissória Rural (NPR) e Duplicata Rural.

Nessas operações, os contratos podem ser realizados durante todo o ano.

A informação foi transmitida à esta coluna pela assessoria do ministro Pratini. Os produtores de carnes suínas e de aves, além de onerados pelo alto custo do milho, enfrentam o excesso de estoques no mercado.

O Ministério reconhece que o apoio à comercialização de suínos e aves não se mostrou suficiente para reverter o quadro de preços desfavoráveis, estando a relação de trocas num dos mais baixos níveis da história.

Com a medida anunciada ontem espera-se criar alternativas para os produtores e consumidores de milho que poderão utilizar esses instrumentos na comercialização e estocagem do produto.

Além disso, os produtores de milho terão uma vantagem adicional, pois serão beneficiados pela maior disponibilidade de recursos no financiamento da comercialização.

Há R$ 1 bilhão para financiar a comercialização na safra 2002/2003.

O prazo de pagamento do empréstimo é de 180 dias, com juros fixos de 8,75% ao ano.

Consumo preocupa -- A cadeia produtiva do milho, suíno e ovos tem que se preparar agora para enfrentar outra adversidade do mercado: a queda no consumo decorrente de um cenário recessivo que se acentua mas que reserva os piores momentos para o início do próximo ano.

Recessão -- Aliás, ontem, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), anunciou a revisão de várias projeções para este ano, como inflação, desemprego, investimento e crescimento econômico.

Real mais frágil -- Tudo vai ficar pior e a causa básica é a instabilidade no mercado financeiro e a desconfiança do mercado em relação aos títulos públicos, além, é claro, da indisfarçável fragilidade do Real.

O Ipea, que é um órgão do próprio governo, ambém prevê um crescimento menor para o PIB, de 1,7% (previsão era de 2%).

Inflação -- Enquanto o Ipea prevê redução do crescimento econômico, o Comitê de Política Monetária prevê aumento da inflação: 6% (governo fixou 4%).

Agricultura salva -- Ao mesmo tempo em que prevê menor crescimento do PIB e forte recuo nas projeções para o crescimento da indústria, o Ipea prevê crescimento da agropecuária:

A variação para a indústria foi reduzida de 1,1% para 0,4% e a da agropecuária subiu de 1,7% para 4,4%.

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