Com o pé no freio



Ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos anos - até o primeiro semestre deste ano -, as lojas de departamento não estão incentivando as compras a prazo; pelo menos não por um período muito longo. Prazo de 36 meses tende a ser ''abolido'', estimma dirigentes do setor.

''Estamos evitando os financiamentos por prazos elásticos'', disse ontem o gerente de uma dessas lojas.

A outra informação é que as taxas de juros estão aumentando. ''Nesta hora o consumidor tem que ser desencentivado a esticar o prazo de amortização'', disse. E a pagar juros muito altos.

É o comércio com o pé no freio. A falta de confiança na economia aumenta e vai além das eleições. Vamos ter a pior virada de ano muito tímida, em termos de demanda agregada de bens. Todos estão na defensiva.

Também ontem, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou o comportamento dos juros em julho: as taxas para pessoa física e também para as empresas foram mairoes.

Para as empresas a taxa média subiu subiu de 4,43% ao mês para 4,48%, com o encarecimento das operações para captação de capital de giro, descontos de duplicatas e cheque especial. Para o financiamento ao consumidor, a taxa subiu de 8,07% ao mês para 8,08%.

Quando, em sua última reunião, a de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa de juros básicos (Selic) em 18% já era esperado que o comércio ia sentir o efeito. Não tanto pela postura do Copom em sí, mas pelo cenário econômico que não inspirava confiança.

Vivendo outro cenário, em julho, o Copom promoveu um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa básica, de 18,5% para 18% ao ano.

Boi/cuidado - O preço da arroba do boi no Estado de São Paulo chegou ontem a R$ 52,00, prazo de 30 dias. Mesmo assim, a oferta foi menor que a procura. No Paraná, segundo a Scot Consultoria, o preço de referência foi R$ 50,00, pago nas praças do Noroeste. A média do Estado, porém, esta bem abaixo desse patamar: R$ 46,96, segundo o Sima/Deral.

No mercado futuro, contratos de outubro, cederam um pouco fechando em R$ 54,24 (R$ 54,34) na sexta-feira.

O analista da FNP, José Vicente Ferraz, disse que os preços continuam firmes, mas faz um alerta: além do consumo não absorver altas sucessivas, ainda, pode haver uma reversão tendência. ''Quando isso acontece o preço cai igual um tijolo''.

Um dos fatores de alta, nas últimas semanas, foi o atraso na oferta de boi do confinamento. Além da redução da quantidade confinada - motivada pela alta do preço da ração - ainda houve atraso na entrega, motivada pelo mesmo motivo e por razões macroeconômicas - destacando aí as incertezas e a explosão do dólar, antes do empréstimo do FMI.

Mas dentro de duas semanas começa e entrar boi confinando e isto pode concorrer para um recuo nos preços atuais.

Outro fator que deixa de sustentar o mercado são as exportações. Houve recuperação nos meses de junho e julho, inclusive em agosto - não fechado -, mas ao longo do ano o volume exportado deve ser menor.

Embora representem menos de 15% do mercado, as exportações exercem um poder psicológico sobre os preços. Na verdade, quem determina o comportamento do mercado é a demanda interna e este consumo interno está no limite.

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