-Os investimentos em boi gordo - ou contratos de parceria rural - vêm preocupando o mercado financeiro que pressiona o governo desde junho, a disciplinar firmemente a modalidade. Isto vem ocorrendo desde junho, conforme dissemos aqui. Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assumiu publicamente sua preocupação com o crescimento do ‘‘mercado de contratos de parceria rural’’ e disse que estuda a regulamentação do setor. A informação foi confirmada pelo superintendente da Assessoria Econômica da CVM, Eucherio Rodrigues. Segundo ele, ‘‘o negócio está tomando um vulto muito grande’’ e a intenção é evitar fraudes futuras. Ele teria dito também, ou pelo menos insinuado, que o risco de fraude já existe. Em mercado financeiro, ou mercados afins, de aplicações ou especulações, uma vírgula pode causar impacto de forte dimensão. Imagine, então, uma insinuação. Ou declaração com todas as letras.
-‘‘Quem investe não tem garantia de que seus recursos estão sendo aplicados em boi nem de que o boi existe. Além disso, a atividade agropecuária envolve riscos, como doenças no gado. Nada garante o retorno do investimento’’, teria afirmado o representante da CVM. Segundo Rodrigues, na Austrália - país onde esse tipo de investimento é mais difundido -, a regulamentação é exercida pela comissão de valores do país.
-‘‘No Brasil existe um vácuo, que poderia ser preenchido por um braço da
CVM’’, afirmou. De acordo com ele, os representantes de três fazendas que participaram de uma reunião de trabalho com a CVM, há cerca de 20 dias, se mostraram favoráveis à regulamentação. Rodrigues esclareceu que, até agora, a CVM não recebeu nenhuma reclamação de investidores que aplicam nesses fundos.
-Ao longo das declarações dos diversos setores ouvidos pela ‘‘Agência Folha’’ (ver matéria na página 5 deste caderno), as frases deixam entrever que na realidade o setor financeiro, representado no caso pela CVM está preocupado com a migração de capital do investimento. Embora as manifestações e a posição da CVM denote isto, não se pode, de forma simplista, dizer que se trata de uma concorrência para disputar o mercado de ricos investidores. Cabe ao órgão credenciado, no caso a CVM, estabelecer regras bem definidas para salvaguardar os interesses dos investidores. O que não parece legítimo, nem sensato, neste momento, é insinuar que os riscos sejam tão grandes, como sugerem algumas colocações.
-A ‘‘Agência Folha’’ ouviu, entre outras fontes, a Fazendas Reunidas Boi Gordo, criada em 88, e que lidera o restrito mercado das empresas que fazem contratos de parceria para a engorda de boi. ‘‘Temos cerca de 70% desse mercado’’, conta Paulo Roberto de Andrade, presidente da empresa, que mantém cerca de 130 mil cabeças engordando nos pastos de 36 fazendas (22 arrendadas e 14 próprias). A garantia, segundo ele ‘‘é total’’, e quem deve saber é o investidor, segundo ele. A posição da CVM ainda vai suscitar muita discussão e ninguém duvide que o regulamento pode inibir um setor emergente. Dívida

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