Sem consumo, sem giro
A pouca liquidez do mercado, a falta de confiança nos rumos da economia, enfim a adversidade conjuntural, criada por esses e outros fatores - e agravada pelo descontrole cambial -, vão reduzir a demanda de bens duráveis e semi-duráveis no último trimestre do ano.
Confirmada essa hipótese, o comércio perde a chance de recuperar o marasmo do primeiro semestre e terá de fazer uma grande promoção em janerio/fevereiro, para desova de estoques.
Ganham, com o deslocamento do consumo, os setores de serviço e o de bens não-duráveis, puxado pelos alimentos.
Mesmo assim, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) foi muito cautelosa, ontem, ao fixar metas de crescimento no ano. Prevê modestíssimo 1,5%, sobre o ano passado.
A leitura de cenário feita pela Abras não é nada animadora. Ela acha que o quadro econômico, financeiro e político do País ainda continua dando sinais de instabilidade.
Nos sete primeiros meses do ano, as vendas reais dos supermercados acumulam queda de 1,59% nas vendas. O resultado é melhor do que o registrado até junho, quando o resultado acumulado foi 2% inferior ao registrado ao intervalo dos seis primeiros meses de 2001.
Segundo a Abras - nas Agências Folha e Estado, ontem -, o desempenho em julho poderia ter sido melhor, caso os preços de produtos e insumos importados e também de artigos que sofrem com o efeito da sazonalidade da época não tivessem aumentado e pressionado os índices de preços.
Alimentos - A cesta básica medida pela Abras subiu de R$ 144,22 em junho para R$ 145,80 em julho, altas de 0,72% na comparação com o mês anterior. As maiores altas foram registradas no feijão (+15,56%), no óleo de soja (+8,76%) e na farinha de trigo (+4,49%). Os produtores que apresentaram as maiores quedas foram a cebola e a farinha de mandioca, com recuos de 14,295 e 4,53%, respectivamente.
Rastreamento - Pela terceira vez, a exigência de rastreabilidade da carne bovina, a ser exportada para a União Européia, foi adiada (agora ficou para 2 de setembro). A implantação do Sisbov, previa que a partir de 30 de junho só a carne dos animais rastreados poderia ser exportada para a UE. A exigência não pode ser atendida por falta de um volume suficiente de animais no sistema.
Inócuos - Mercados acionário, cambial e os de agronegócios se comportaram indiferentes em relação ao encontro de FHC com os candidatos à sucessão. Isto mostra que a sensibilidade é com relação ao mercado externo; os políticos que estão aí são inócuos para a conjuntura.

mockup