OSWALDO PETRIN
Mercado em polvorosa
Medo. Essa é a definição para o sentimento dos agentes do mercado, ontem à tarde, com relação à iminente crise econômica, não suficientemente afastada pelo empréstimo de US$ 30 bi acertado com o FMI, uma semanas atrás.
O índice Bovespa - que calibra o desconfiômetro do mercado acionário -, caiu ontem, enquanto no agronegócio a preocupação se expressava, por exemplo, na retenção do boi, um ativo real, refúgio para investimentos que não se arriscam num mercado financeiro à deriva.
Em tempo de turbulência para todos os papéis, boi em carne e osso, e soja são abrigos seguros. Ou relativamente seguros.
Esta migração de investimentos não tem pressa para fazer o caminho de volta, eis que o mercado internacional da soja acena com um longo período sustentado (embora o relatório de ontem do Usda aponte o contrário), enquanto, no caso do boi, o período de inverno vai sendo superado com uma certa tranquilidade.
Viva o boi, portanto. E viva a seca no meio-oeste dos EUA.
Mas esta aposta - no boi ou na soja - é a postura de apenas uma face da economia, a produtiva. Do lado dos bancos, ao contrário. A aposta de que o dólar tende subir mais atraiu à compra no mercado à vista. E dá-lhe repercussão.
Não é brincadeira: o dólar comercial fechou com +4,30%, cotado a R$ 3,15. A moeda sobe na proporção progressiva do risco Brasil. Aqui, o componente elitoral permeia a atitude dos bancos e dos agentes econômicos internacionais.
Em grande parte, o receito exagerado com relação à saúde financeira do País, deve ser debitado à pesquisas de intenção de voto - um referencial frágil demais para reger tantos interesses, pois tudo pode mudar após início dos debates pela tevê.
Não menos efêmera é a postura dos candidatos, que fazem qualquer acordo - ou ameaça populista - para chegar ao poder. Depois, tudo será factível, inclusive um acordo subserviente ao FMI. Ideologia às favas.
Voltando à soja: o governo norte-americano começa a ajustar os dados da safra e dos estoques de grãos. Até então com números bem superiores aos do mercado, o Usda surpreendeu ontem. A revisão dos dados de produção para baixo nos Estados Unidos, devido à seca, aponta para um estoque de apenas 4,2 milhões de t, ''o segundo mais baixo da história recente'', segundo Fernando Muraro, da Agência Rural, em entrevista, ontem, à Agêcia Folha. Os estoques mundiais para 2002/3 agora são estimados em 22,9 milhões de toneladas.
Voltanto ao boi: pecuaristas paulistas não querem entregar por menos de R$ 50,00. Mas os frigoríficos acham difícil repassar isso para o varejo porque não há consumo para tanto. Sobre soja leia mais na página 2, ''Indicadores'' e na página 3 do 1º Caderno (''Últimas Notícias'').





