Acordo providencial
A conclusão, ontem, do acordo com o FMI, de US$ 30 bilhões, tira o Brasil do centro do furacão das especulações internacionais e acena com a reinserção da economia brasileira entre as confiáveis, ou viáveis, na ótica da massa crítica do Wall Street. Enfim, exclui o Brasil do mesmo cenário em que figuram Argentina e Uruguai.
O próprio FMI deixa entrever, com esse acordo - em valores acima das expectativas otimistas -, que a crise cambial (e não monetária, nem bancária) que afeta(va) o País não é suficientemente forte como algo que venha a se abeirar à inadimplência, calote, ou algo que se equipare. De quebra pode reduzir as taxas de juros.
Mas, nem tudo são recursos novos, suficientes para tratar da retomada do crescimento. É um socorro. Trata-se de um novo crédito ''stand-by'' de 15 meses, de US$ 30 bi em financiamento adicional, cuja maior parte (80%) será repassada em 2003.
E tudo sujeito a crivo, monitoramento de metas, etc., igual aos programas de ajuda anteriores.
Para garantir a sustentabilidade fiscal, o programa de recursos estabelece a manutenção de uma meta de superávit fiscal primário (sem contar os juros da dívida) de, no mínimo, 3,75% do PIB em 2003.
O acordo também estabelece a inclusão de uma meta com este percentual mínimo na Lei de Diretrizes Orçamentárias do Brasil para 2004 e 2005.
Detalhes sobre o acordo estão na primeira página deste caderno de Economia. Neste momento, o brasileiro tem que se dar por satisfeito pelo fato de o acordo afastar as especulações.
As eleições já não são um risco, como sugeriam os críticos da economia. E candidato algum é ameaça a ordem alguma. A economia já não está momentaneamente vulnerávei a ataques especulativos.
E, finalmente, a transição de governo, em janeiro, ganha um forte ingrediente que lhe dará suporte para que transcorra tranquilo, ''sem traumas econômicos'', como chegaram a prever.
Ninguém, porém, sairá incólume do furacão e do estrago político, que no Brasil é praticado em baixo estilo. Mas isto faz parte.
Graças ao acordo com o FMI, o dólar deve se comportar melhor nas próximas semanas, suficiente para afastar uma especulação ''salutar'', a que vem sustentando os bons preços dos produtos de exportação, entre eles a soja - que agora passa a apostar apenas na estiagem no Meio-Oeste dos EUA. Uma boa aposta já que a produção de lá está comprometida.

mockup