Perigo permanece
Nem as declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Paul O'Neill, foram suficientes, ontem, para devolver a confiança ao mercado, a julgar pela alta do dólar e aumento do ''risco Brasil''.
Primeiro O'Neill faz uma quase profissão de fé na economia brasileira (O'Neill que, dias atrás, levantou suspeita sobre o destino dos recursos do FMI ao Brasil) e, depois, reforçou o ''forte apoio'' do governo dos Estados Unidos ao acordo em negociação entre Brasil FMI.
Não adiantou. A palavra do secretário do Tesouro dos EUA já não tem tanta força, pelo visto. A crise é maior.
Indiferente aos prenúncios de um empréstimo do Fundo, o mercado jogou o dólar para 5,31% de alta (R$ 3,165) e aumentou o risco Brasil - que não vale à pena comentar por tratar-se de avaliação com forte componente abstrato.
Detalhe: na BM&F, todas as projeções futuras para o dólar permaneceram abaixo da cotação à vista.
Mas não é só a credibilidade do secretário do Tesouro americano que está em baixa. O mercado enxerga mais longe, suficiente para avaliar o seguinte: depois de seis dias de negociações com o FMI, a missão brasileira ainda não tem data para anunciar o fechamento do pacote de ajuda financeira ao país.
Isto pesa mais do que o afago da autoridade monetária. Além disso, Paul O'Neill, não um Greenspan (o secretário do Tesouro).
Para o agronegócio a semana começou bem. O boi chegou a R$ 47,00 no Paraná (ver coluna de commodities na página 2 deste caderno 2).
E a chuva no Meio-Oeste dos Estados Unidos, neste final de semana, não foi a salvação da lavoura.
Importante: um estudo da Kansas State University mostra que as perdas na produção de soja nos Estados Unidos são irreversíveis.
O desenvolvimento das lavouras de soja no Meio-Oeste norte-americano mostra os sinais da seca que afeta a região.
A produtividade deste ano poderá ficar abaixo dos 2.500 kg/ha, informa o estudo da Universidade do Kansas City, citado pelos analistas da Consultora MPrado, de Uberlândia, ontem.
Se o Usda mostrar a redução da safra norte-americana em toda sua extensão o mercado da soja vai explodir e o produtor brasileiro vai rir à toa.
Mas o mercado diário não vive de previsões. Ontem, no mercado interno, os compradores aproveitaram a baixa da Bolsa de Chicago para ''reparar'' a forte alta da semana anterior, informa o analista de mercado Adriano J. Timossi, da FNP. Os preços, nos últimos dias recuaram R$ 4,00/sc.

mockup