-Em matéria de estabilizantes, conservantes e outras substâncias químicas que se aplicam nos derivados do leite, Brasil e Argentina ficam mais ou menos assim: eles cedem no uso de estabilizantes no leite longa vida, o ultra alta temperatura (UAT), e nós concordamos com o emprego de conservantes nos doces de leite. Nós podemos colocar o inofensivo citrato de sódio no HT e, como contrapartida, aceitamos que eles adicionem ácido sórbico no doce de leite. Que, adicionado dentro de parâmetros, não é necessariamente cancerígeno. (Você decide).
-Na prática, a grosso modo, é mais ou menos isto que se dá com as assinaturas, semana passada, das portarias padronizando os critérios técnicos dos queijos - e outros derivados. Claro que um técnico no assunto diria que o conservante é pior, uma vez que o estabilizante só interfere no equilíbrio de sais minerais e nas proteínas do leite. Para nós, leigos, isto se expressaria, por exemplo, no adensamento do leite que fica no fundo da caixinha ‘‘Tetra Pack’’. Sem o estabilizante, em três semanas ou menos, os sais minerais ficariam concentrados no último copo. Nada que prejudique a saúde, portanto, ao contrário dos conservantes. Mas, comercialmente, não é interessante. Afinal, se a apresentação do produto não fosse determinante comercial, o marketing não exigiria tantos artifícios.
-Já o emprego de ácido sórbico no doce de leite é algo para se pensar. Ainda sobre o estabilizante, o único inconveniente é que ele encarece o produto, o que não é bom para o Brasil quando se trata de uma mercadoria de elevada agregação de valores, em que a embalagem quase inviabiliza o conteúdo.
-Se alguém perguntar por que a Argentina dispensa o uso de estabilizante no longa vida enquanto nós não podemos prescindir, a resposta pode ser ‘‘qualidade’’. A Batavo também não usa estabilizante no produto embalado em Castro, mas o utiliza nas unidades do Oeste, por exemplo.
-A verdade é a seguinte: com exceção da manteiga, do leite condensado e do leite em pó - cujos químicos que adicionam são inócuos -, todos os demais derivados do leite têm forte composição aditiva. Quem fabrica costuma ironizar que naquelas embalagens atraentes de iogurtes, doce de leite, requeijão e outros ‘‘tem até leite’’. Tudo dentro de parâmetros, convenhamos, sem razão para pânico.
-Estas observações vêm a propósito das 27 portarias assinadas pelo ministro Porto, harmonizando junto ao Mercosul os padrões de identidade e qualidade de 11 tipos de queijos, requeijões, massas mussarela, doce de leite, e leite longa vida. Portarias também estabelecem condições sanitárias, práticas de produção de queijo. No caso do leite longa vida fica regulamentado o uso de estabilizante e no caso do leite em pó, os gases inertes como coadjuvantes. Uma das portarias regulamenta a rotulagem e de alimentos embutidos.Linguagem

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