Mercado em ebulição
Coloque-se, por alguns momentos, no lugar de um atento (ou obcecado?) observador do mercado da nossa principal commoditie agrícola, a soja:
Há uma massa de ar fria se aproximando do Meio-Oeste dos EUA. Se ela se converter em chuvas nas próximas horas, as cotações desabam na segunda-feira, na Bolsa de Chicago, e aí o jeito é aguardar mais uns dias para calcular as perdas ocorridas até agora, que são irreversíveis.
Se, porém, não chover o suficiente (para interromper um longo período de estiagem), então é só aguardar porque as cotações podem chegar aos sonhados US$ 6,00/bushel, como no auge da soja.
Na real: as informações sobre as condições das lavouras dos Estados Unidos, recebidas por um colaborador da FNP, baseado em Ohio, são importante sinal de alerta. As temperaturas são extremamente altas, entre 38ºC e 40ºC, indicando que o tempo ensolarado já causa quebras de safra em alguns locais.
Ontem, quinta, houve fortes altas durante o pregão (veja números nos Indicadores da página 2), que não se sustentaram porque fundos de commodities fizeram vendas de contratos para realização de lucros.
Além das variáveis mercadológica e climática, ainda há a influência do câmbio.
Exemplo: no Paraná, ontem, a soja recuou: R$ 38,00 no Porto (R$ 40,00, na quarta). O recuo se deve à queda de 9,22% no dólar comercial.
Os produtores receberam nas últimas semanas R$ 32,00 por saca, 36% a mais do que no início de agosto do ano passado. No mesmo período o aumento do dólar foi de 26%, segundo José Pitoli, de Cornélio Procópio, no Vaivém das Commodities da Agência Folha. A soja subiu mais do que o dólar devido à alta dos preços na Bolsa de Chicago no período (clima).
Café - Pela primeira vez na história, o café terá contratos de opções de vendas a serem feitos através de leilões. A notícia foi comentada ontem à tarde no mercado cafeeiro. À noite, um press-release do Ministério da Agricultura confirmou através de entrevista concedida pelo próprio ministro Pratini de Moraes. Ele disse que o governo está na verdade criando um preço de garantia.
O Ministério vai lançar contratos de opção de venda de café para os produtores e suas cooperativas. informou o ministro. A partir deste mês até outubro próximo, serão ofertadas 6 milhões de sacas: 78,2% de arábica e 21,8% de robusta, ambas tipo 6 - classificação oficial brasileira.
O governo destinou R$ 765 milhões para essas operações. Pratini de Moraes também anunciou a inclusão do produto na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e a liberação de R$ 320 milhões para o programa de apoio às exportações.
Veja mais nesta página: o setor cafeeiro terá R$ 2,275 bi em recursos para a safra 2002/2003.

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