OSWALDO PETRIN
Um abrigo chamado soja
Regra básica, quase óbvia, em tempo de crise: quem não puder ancorar-se numa moeda forte, como o dólar, deve abrigar-se em commodities internacionais, como a soja.
De novo o câmbio travou o mercado de commodities, ontem. Pelo menos três produtos, boi, café e soja, tiveram um dia de muita especulação e poucos negócios.
Para os agentes de mercado, cuja liquidez pede que o mercado flua, foi ''um dia de cão'' - na definição do técnico de uma corretora do Paraná. Para o dono da mercadoria/moeda, apenas um recuo.
Longe de estimular vendas futuras da soja ou operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), o novo destempero cambial de ontem (dólar comercial a R$ 3,2900 na compra e R$ 3,30 na venda, +3,45%) parou o mercado. Houve poucos negócios também no físico (ver página 2).
O indicador de preços da soja Esalq/BM&F, calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Paraná, ficou em R$ 34,85/saca (+4,56% no dia). Em dólar, ficou em US$ 10,61/saca (+3,92%).
E o preço do boi subiu de novo: R$ 47,00 em São Paulo; R$ 45,00 no Paraná - com a promessa de parar quando for barrado pelo consumo.
O Brasil (pensa que) ganha porque é exportador de commodities; mas se esquece que perde por importar arroz.
Os contratos futuros que, em alguns casos, ajudam a financiar o custeio da próxima safra, vinham bem. No Mato Grosso, onde a comercialização é mais profissional, a vendas fixadas (para entregar e receber entre abril e maio) haviam atingido 50% na semana passada, conforme levantamento da FNP). Goiás havia fixado 42%, e o Paraná fechou menos, cerca de 10%. Contratos fechados em Cascavel tiveram média de US$ 10/saca.
Especialista confirma: segundo Adriano J. Timossi, da FNP, o mercado interno esteve muito turbulento. Ele recomendou cautela aos seus clientes, com exceção daqueles que necessitam pagar contas e precisam fazer dinheiro.
Toda essa crise cambial passa. Os primerios sinais de calmaria devem acontecer ainda esta semna, com a chegada, hoje, da missão do FMI. É possível que saia um acordo (empréstimo).
Afinal, o sr. Paul O'Neill, secretário do Tesouro dos EUA, já causou o estrago que tinha de causar com declarações que deixam entrever pouco conhecimento do Brasil.





