OSWALDO PETRIN
Fest track é
''café pequeno''
A aprovação pela Câmara Americana de Representantes do chamado TPA ou fest track (denominação do mercado ao projeto ''Autoridade para Promoção Comercial'', que permite ao Executivo negociar novos acordos comerciais, inclusive a Alca) não foi páreo no mercado de commodities, ontem. As atenções todas foram para a alta do dólar.
A crise cambial travou o mercado da soja, no Oeste e Norte do Paraná. ''Após almoço ninguém quis reportar negócios'' - disse o operador de uma trade. As cooperativas do Oeste confirmaram.
Mais tarde viria o fechamento da Chicago Board of Trade, mas até a Bolsa, a esta altura, seria irrelevante.
O real, frente ao dólar, chegou a desvalorizar-se em até 9% no momento máximo do mercado, atingindo R$ 3,29/US$ 1,00. No final do pregão, recuou para R$ 3,19/US$ 1,00, queda de 5,8%. A instabilidade no câmbio deixa grandes dúvidas no mercado sobre o futuro da economia brasileira.
O mercado interno da soja ficou extremamente vazio em todas as praças cotadas pela FNP, informou o analista dessa empresa de consultoria, Adriano José Timossi.
Voltando ao dólar: a queda do real a níveis recordes foi orientada pela demanda física por dólar por empresas no Brasil.
Na verdade não foi só isto. Há um ambiente propenso a especulações. E, internamente, as autoridades dão toda chance do mundo para que isto aconteça.
No caso de ontem, o dia começou sob suspeita com a entrevista hesitante do ministro Malan, no ''Bom Dia Brasil''. Ele não mostrou segurança - na opinião de um empresário paranaense.
Malan não disfarçou seu abatimento pelo impacto da declaração de Paul O'Neill, o secretário do Tesouro dos EUA.
Seguinte: no final da semana operadores do mercado de câmbio haviam antecipado que em breve haveria mais US$ 10 bi do FMI ao Brasil.
Mas, na sexta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, fez declaração fulminante negando que haveria liberação imediata do dinheiro.
Isso deu margem à especulações como a que vem a seguir, do operador (especulador) de câmbio de um grande banco multinacional influente no Brasil.
Disse ele: ''A pressão sobre o Brasil é real: minimizar isso como apenas um ataque especula tivo esconde os problemas fundamentais que o país enfrenta'', disse. ''Os próprios brasileiros estão tirando o dinheiro para fora do país'', acrescentou.
Essa declaração teria repercutido muito.
Detalhe: Malan foi o grande articulador da polêmica venda de um banco brasileiro para esse banco multinacional, cujo executivo, agora, bate forte na economia brasileira, e até com certa leviandade, dando margem a especulações.





