OSWALDO PETRIN
Como nos melhores anos da soja
Só há uma observação a ser feita com relação à ascensão (na verdade, uma explosão) das cotações da soja, ontem, na Chicago Board of Trade, por conta da seca no Meio-Oeste dos EUA (matéria principal desta página e na coluna de commodities, na página 2).
A observação é a seguinte: o mercado de bolsa é muito sensível, um tanto especulativo. Basta um relâmpago prenunciando chuvas, para os preços desabarem. Ou, então, que haja a opção pela realização de lucros (por parte dos funtos de commodities que negociam os contratos futuros) em cima dos papéis comprados nos dias anteriores.
Embora todos saibam dessa rotina, não custa lembrar, principalmente para aqueles que acham que o mercado é uma mão única. A oferta de papéis pode derrubar o preço ainda hoje.
Detalhe, os analistas acham que o mercado continuará ''altista''. Isto, aliado ao câmbio, pinta um quadro muito favorável.
Os especialistas falam que este é o ''mercado do clima''. E que a meteorologia não está prevendo mudança do tempo esta semana.
No mais, está acontecendo algo muito bom. As cotações da soja, principalmente nas últimas três semanas, têm ultrapassado os US$ 5,55 por bushel (27.216 kg), encostando nos US$ 6,00. E esta tem sido uma marca de boas lembranças para o produtor brasileiro porque durante alguns anos, no boom da soja, o preço internacional da commoditie esteve nesse patamar.
Os contratos com vencimento em agosto fecharam o pregão cotados a US$ 5,94/bushel (US$ 13,09/saco de 60 kg), alta de 3,22%, em relação às cotações da sexta-feira. O contrato de novembro foi cotado a US$ 5,55/bushel, o maior valor desde dezembro de 2000. Alta acumulada de 15% em menos de um mês.
O grande fator altista, além do clima, foi a grande especulação sobre os números do Departamento de Agricultura (Usda) acerca do progresso das lavouras - observa Adriano J. Timossi, analista da FNP, Consultoria e Comércio.
Veja como foi a média: o indicador de preços da soja Esalq/BM&F, calculado pela Esalq com base nos preços do mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná, ficou em R$ 34,12/saca, com alta de 2,06% no dia. Em dólar, o indicador ficou em US$ 11,80/saca, com ganho de 1,29%.
Segundo o Usda, 59% das lavouras estão em fase de florescimento e 16% em fase de formação de vagem. O órgão divulgou que 43% das lavouras de soja estão em condições de desenvolvimento consideradas de boas a excelentes, contra 50% da semana anterior.





