-O Paraná deixa de arrecadar uma fortuna, com abates clandestinos de gado, e ainda permite que a saúde de seus consumidores fique permanentemente exposta a todos os riscos inerentes à ingestão diária de carne sem fiscalização sanitária. Profissionais da saúde enumerariam esses riscos e diriam, como têm dito, que eles realmente não são poucos. É preciso ter cuidado.
-Qualquer dia, o Estado e, por extensão, quem estiver no governo, serão responsabilizados - judicial e politicamente - pela negligência. Embora abates clandestinos sejam uma prática antiga, remonta muitos governos, o abuso está passando dos limites, a julgar pelos números levantados dias atrás pelo Sindicato da Indústria da Carne e Derivados (Sindicarne). Seriam cerca de 50 mil animais/mês abatidos em matadouros que não têm inspeção federal, ou seja: o animal não é vistoriado por um médico-veterinário, como estabelece o Serviço de Inspeção Federal (SIF), presente em apenas 18 frigoríficos. No Paraná há 192 pontos de abates, mas apenas 18 são fiscalizados e contam com o SIF, através da presença permanente de médicos-veterinários, dentro do frigorífico. Há 110 abatedouros municipais que operam de maneira precária. Uns contam com o ‘‘Serviço de Inspeção Municipal’’ (SIM) outros têm o ‘‘Serviço de Inspeção do Paraná (SIP), mantidos pela Secretaria da Agricultura. Mas tanto o SIM como o SIP não são eficazes quanto o SIF e não contam com médicos-veterinários; as inspeções são periódicas.
-Relatório sobre o asssunto foi enviado pelo Sindicarne a pelo menos duas Secretarias diretamente envolvidas no assunto: Fazenda e Agricultura. O relatório mostra, com números, como o Estado e muitas prefeituras praticam o que o Sindicarne chama de ‘‘clandestinidade oficializada’’.
-O relatório constatou ainda a existência de 21 postos de abates sem inspeção alguma, em Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Ivaiporã e Pato Branco, entre outros municípios considerados de grande porte. Todas essas falhas não incluem os abates feitos debaixo de árvores, chamados ‘‘Frigo-Mato’’. Como o combate ao ‘‘Frigo-Mato’’ é de difícil controle, a saúde pública espera que pelo menos os abatedouros municipais sejam controlados, afinal eles têm endereço.
-Já a evasão de receita é calculada em cima de um abate mensal de 50 mil bois, ao valor médio de R$ 400,00/cabeça. A sonegação de 7% sobre esse volume é o que se deixa de investir em escolas, postos de saúde, moradias ou outros investimentos sociais. Para chegar a valores aproximados levou-se em conta os números oficiais do rebanho (7,5 milhões de cabeças de gado de corte), a uma taxa de desfrute de 18% (relação entre quantidade de animais abatidos e o plantel existente), resultando em abate de 1,350 milhão de cabeças, ou 112.500 cabeças/mês. Como 60 mil são abatidas pelos frigoríficos organizados, a parte sonegada seria de 52.500 animais. Uma parte desse total é de gado vendido em pé (vivo) para outros Estados (cerca de 2,5 mil). A sugestão é que os clandestinos somam 50 mil cabeças/mês. Senar

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