Aprender com Felipão
O time dos vencedores, comandado por Scolari, foi recebido pelo time - que não é nada vencedor - comandado por Fernando Henrique Cardoso.
Em comum, os dois times têm apenas o direito à comemoração do grande feito desportivo. No mais são diferentes. Muito diferentes.
Para começar, o comandante do time vencedor é um determinado, não tem medo de medidas impopulares, desde que necessárias para atingir um objetivo. Não transige. Veste a camisa do Brasil.
Foi merecida a recepção ao time vencedor. Pena que o homenageado não vai poder retribuir a gentileza ao time do Planalto, cujo tempo regulamentar do mandato está terminando, sem ter vencido as grandes disputas.
A prorrogação conseguida pelo time do Planalto - meio que no tapetão - não foi suficiente para arrumar a casa e marcar um gol de placa contra os problemas sociais do País. Longe disso.
Não conquistou os títulos que a Nação aguardava: o título da melhor distribuição de renda, da reforma fiscal, do aumento da oferta de emprego...
Jogou o tempo todo na retranca contra a inflação; conseguiu - com muitas faltas - a estabilidade dos preços, mas não alcançou a estabilidade da economia.
Apesar dessa defensiva, não formou barreira suficiente para impedir o ataque da violência urbana; não ''chegou junto'' para afastar as jogadas da especulação.
O time do Planalto, a despeito de ter levado o jogo para a prorrogação, não criou oportunidades de gol para reduzir a pobreza absoluta.
Mala, um dos destaques do time, pisou na bola na grande área da economia e marcou gol contra na dividida com os bancos.
Pensando bem, apesar do apoio da torcida, esse time do Planalto ''amarelou'' na hora de negociar com o FMI; pipocou na hora de combater o contrabando e recuou, coverde, na disputa contra os traficantes.
Na política cambial o time comandado por FHC só deu chutões. E quando a bola foi lançada para a diplomacia discutir protecionismos na OMC, só se viu perna de pau.
Time grosso demais, para quem teve tudo para dar uma goleada na miséria dentro e fora do campo. As jogadas ensaiadas contra a carga tributária saíram pelas laterais sem efeito algum.
A determinação e a vontade de vencer, enfim, qualidades do comandante Felipão, não são encontradas no time do Planalto. Que, no entanto, é bom nas homenagens.

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