Oswaldo Petrin
O frango é fiel
A seca fulminou a safrinha de milho, embora as estatísticas parecem subestimar as perdas, que devem ficar bem acima das projeções oficiais. Abastecimento ameaçado no segundo semestre? Nem tanto. A mesma seca já compromete o trigo, mas a Argentina está aí pertinho.
O agricultor não terá com quem dividir as consequências das perdas de seus produtos. Pelo menos se depender da carne.
Sobram suínos e frangos, à disposição de uma demanda reprimida porque a economia impôs cabresto curto e a inflação é contida pelo estômado de desempregados, subempregados e população economicamente ativa com salários defasados.
E, como o mercado internacional está menos receptivo este ano, há de abundar também a carne de boi.
Pena que não há salário para levantar o maior cliente dos produtos brasileiros: o seu próprio consumo interno.
Mas, ontem, o analista Fábio Silveira, de São Paulo, tranquilizou a equipe econômica que tem medo do preço do franguinho. Segundo ele (em entrevista à repórter Fabíola Salvador, da Agência Estado) o aumento nos custos de produção das carnes - resultado da alta do milho -, não terá impacto nos preços finais ao consumidor.
Malan e toda equipe econômica podem ficar tranquilos que ninguém vai pôr mais frango à mesa - e provocar alta do preço. Nem a seca provocará alta. Está descartada a possibilidade de fortes oscilações nos preços finais das carnes bovina, suína e de frango no segundo semestre deste ano.
O frango continuará, portanto, na sua predestinação histórica: símbolo do Plano Real.
Que começou com o frango e termina em frangalhos.
Para Silveira, o argumento de que o setor de carnes ajudará a elevar a inflação nos últimos seis meses do governo FHC não procede. O perfil da demanda interna conterá qualquer alta nos preços das carnes, afirma.
Se os preços do milho subirem, as agroindústrias terão de reduzir margens, pois dificilmente terão como repassar uma alta nos custos para os preços aos consumidores. A massa salarial atual não absorve preços mais altos, afirma.
Sem consumo - ou com demanda reprimida, como preferem os economistas - vai sobrar pena para todo mundo.
Num mercado de abastecimento apertado de milho, a tendência é de que as empresas que trabalham sem escala desapareçam.





