Ducha no mercado



A previsão da produção brasileira de café, divulgada ontem à tarde pelo Ministério da Agricultura, bem que poderia soar como um alívio para o mercado interno, acuado pelas previsões do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e empresas exportadoras que projetam números considerados altos pelos agentes do mercado.
No entanto, a projeção oficial da safra na temporada 2002/2003, pela Conab, está estimada em 44,69 milhões, números mais baixos que as projeções anteriores - porém nem tanto.
Pior que o excesso de oferta, sugerido pelos os números, a divulgação vem num momento inoportuno para os setores da produção e mercado, eis que a demanda está fraca e os preços internos não têm reagido, exceto para aqueles lotes de finíssima qualidade.
A ausência de previsão de queda de temperatura - considerado fator baixista - e, agora, a informação sobre uma abundante produção, conspiram para um mercado ainda mais apático nos próximos dias. )Ontem a Bolsa de Nova York voltou a fechar em baixa para vendas futuras com compromisso de entrega em julho).
‘‘A produção brasileria de café deve beter recorde histórico na safra 2002/2003’’, diz o comunicado do Ministério, divulgado ontem. Uma ducha fria no mercado que vai levar alguns dias para recuperar o ritimo de negócios.
Das 44,69 milhões de sacas, 34,93 milhões são de café tipo arábica e 9,75 milhões são do robusta. O parque cafeeiro nacional ocupa uma área de 2,35 milhões de hectares. Os números referem-se à segunda estimativa da safra e foram divulgados ontem, pelo secretário de comercialização, Pedro de Camargo Neto.
A estimativa da Conab está dentro das expectativas do governo, segundo Pedro Camargo. O aumento da produção brasileira - segundo ele - é positivo para o produtor, ainda que os preços internacionais estejam deprimidos. Ele acha que a situação do produtor, hoje, é melhor do que a do ano passado, quando os preços também estavam baixos. É melhor preços baixos com produto do que preços baixos sem o produto, analisou. Para quem não entendeu ele estava comparando com a safra 2001/2002, que foi de 28,1 milhões de sacas.
A Conab aponta o que o mercado já esperava: uma supersafra. A previsão da FNP já apontava para uma safra de 34,96 milhões de sacas de café arábica, igual à da Conab. Já a de robusta da FNP supera em 1,88 milhão a da Conab. E a Coimex prevê safra total de 49,45 milhões de sacas.

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