Alívio momentâneo


Uma segunda-feira calma, vale observar, quando todas as atenções miravam para uma possível reação dos principais indicadores, como o dólar, em ascensão na semana passada. Mas o cenário de ontem (dolar a US$ 2,78 contra R$ 2,84 na sexta), não refletiu a intensidade da turbulência esperada. No final da tarde, quase tudo calmo, tudo bem.
Temos mais serte, às vezes, do que juízo.
Às vezes, porque no longo prazo, quando a equipe econômica tirar o pé que mantém sobre a mola espiral chamada inflação, ela deve dar um saldo para cima. Uso esta figura porque é a mais apropriada para dar idéia do controle superficial da economia hoje.
Aliás, a espiral inflacionária, mesmo sob o peso do controle artificial - pelo instrumento monetário dos juros altos - já esboça sinais de inquietação.
Vejamos o que ocorreu ontem: o mercado financeiro aumentou sua projeção média de inflação para este ano. A inflação, medida pelo IPCA (índice amplo) vai ficar, segundo a projeção, em 5,5%, embutindo aí a expectativa de repasse da recente alta do dólar para os preços. Este número, por sinal, é o limite máximo da meta oficial para 2002, que tem como número factível, proposto ao FMI, modestos 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima. A margem de tolerância já é gordura queimada, a julgar pela projeção de ontem do mercado financeiro.
Prudência é a palavra chave.
Dívida rural - Os produtores rurais, mutuários das dívidas securitizadas, têm até o próximo dia 29 para regularizar as parcelas vencidas. A quitação dos débitos é pré-requisito básico para o devedor solicitar a repactuação do pagamento da dívida em 24 anos, de acordo com a Lei 10.437, aprovada pelo Congresso Nacional em 25 de abril deste ano.
A Lei contempla dívidas securitizadas em todo o sistema financeiro. No Banco do Brasil, cerca de 164 mil produtores poderão ser beneficiados. Desse total, 45 mil já haviam procurado as agências BB até o último dia 20.
O Tesouro Nacional é o credor das dívidas securitizadas junto aos bancos, entre eles, o BB. Os devedores, porém, devem procurar as agências para a regularizar e repactuar seus débitos.
As parcelas anteriores a 2001 somente poderão ser regularizadas mediante o pagamento do valor total. Em relação às do ano passado, o mutuário deverá pagar, no mínimo, 32,5% do seu valor, sendo o restante incorporado ao saldo da dívida.
Quem deixar de informar o banco sua intenção até esta data, 28 de junho de 2002, vai perder o direito a essas vantagens. Essa formalização consiste em mostrar ao banco o desejo de prorrogar sua dívida, ou obter as vantagens concedidas aos mutuários do PESA, através uma correspondência assinada pelo produtor, em duas vias com a preocupação de exigir protocolo na 2ª via.

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