Oswaldo Petrin
Rastrear ainda é problema
A implantação da rastreabilidade da carne bovina deu um passo importante, ontem, quando o ministro Pratini, da Agricultura, entregou certificado de habilitação às empresas que vão atuar no programa. Uma é do Paraná, Londrina.
A partir de 1º de julho as empresas que exportam carne bovina para os países que integram a União Européia terão de adquirir animais para abate de propriedades que integrem o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).
Como funciona o processo, como participar, os pontos falhos, as dúvidas e o que pode acontecer na implantação, são assuntos já abordados em reportagem especial da Folha Rural, no último sábado. Informações que devem estar hoje, na imprensa nacional.
O ministro Pratini discursa (Agência Estado, ontem): Chegamos a um novo patamar com a implementação do Sisbov. Em quatro anos, seremos o maior exportador de carne do mundo e temos de nos preparar para enfrentar a disputa internacional porque o novo nome do protecionismo mundial se chama defesa animal.
O ufanismo é justificável, mas quem atua no ramo ainda está cheio de dúvidas. A rastreabilidade não vai deslanchar na primeira largada. Está sujeita a readequações e adiamento de prazos-limite. Quem entende garante que vai ser impossível cumprir tudo que empenhado junto à UE.
De qualquer forma a rastreabilidade é sinônimo de evolução e deve ser vista como suporte técnico para alavancagem de negócios. É solução, não é problema, embora, como tudo no Brasil, surge com dúvidas. Convenhamos, porém, que há mais motivos para comemorar do que reclamar.
A rastreabilidade bovina foi uma exigência da UE - cujos países já adotam este tipo de controle - para que o Brasil possa continuar exportando carne. A razão principal é o temor de doenças como a vaca louca (Encefalopatia Espongiforme Bovina). A adesão ao Sisbov é voluntária e as despesas com a certificação serão bancadas pelos produtores. O custo por animal varia entre R$ 3,50 a R$ 4,00.
O mecanismo de identificação do animal rastreado será de livre escolha do produtor (chip, brinco, marca) e as informações sobre a origem, alimentação, vacinação, movimentação e abate serão transmitidas pelas certificadoras por meio de um sistema informatizado vinculado a um banco de dados cuja central será administrada pelo Ministério da Agricultura.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Luiz Carlos de Oliveira, explicou à Agência Estado que, embora o processo de certificação esteja sendo oficializado com o credenciamento das empresas por meio de portarias publicadas no Diário oficial, não haverá entraves às exportações.





