Oswaldo Petrin
Usda mantém números altos
Depois de detonar o mercado cafeeiro, em março/abril, com sua previsão superestimada - que insiste em manter, apesar dos protestos dos produtores -, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), previu ontem uma produção igualmente exagerada para a soja. A produção brasileira, segundo o Usda, deverá atingir 43,5 milhões de toneladas. Manteve, portanto, as projeções de maio.
Mas a FNP, empresa que desfruta de credibilidade no mercado, confirmou ontem que mantém uma projeção menor: 40,8 milhões de ts. As exportações brasileiras de soja em grão devem chegar perto de 17,0 milhões de t.
A previsão do Usda não foi a única variável a conspirar contra o mercado ontem, mas derrubou os preços em Chicago, para contratos futuros. Apesar de o dólar chegar a R$ 2,7950 para a compra no Brasil, os paranaenses viram o mercado recuar na Chicago Board of Trade.
Os contratos com fechamento em julho fecharam cotados a US$ 4,9325/bushel (US$ 10,87/sc). O bushel tem 27,216 kg. (Veja mais na coluna de mercado, página 2 deste Caderno).
Para a Argentina, o Usda manteve sua estimativa de produção de maio, em 29,5 milhões de t. As exportações argentinas de soja devem atingir 7,55 milhões de t, contra 7,70 milhões de t estimadas em maio.
Para a China, o departamento não alterou as projeções de maio. As importações chinesas de soja em grão são projetadas em 11,0 milhões de t. A produção chinesa é estimada em 15,45 milhões de t. Nos estados Unidos, a estimativa de produção ficou inalterada nos 78,67 milhões de t e as exportações aumentaram para 28,17 milhões de t.
No balanço mundial, o Usda diminuiu a produção para 183,84 milhões de t e diminuiu os estoques finais para 29,43 milhões de t.
Sobre o dólar vale observar que a moeda norte-americana é valorizada aqui mas vacila na Europa: ontem, em Londres, o euro chegou a ser negociado acima de US$ 0,95 pela primeira vez desde a sua implantação oficial, no começo deste ano. As dúvidas sobre o vigor da recuperação econômica norte-americana continuam a desestabilizar a moeda.
Analistas estão vendo a possibilidade de o euro ultrapassar o valor de US$ 1 pela primeira vez.
Ontem, algumas pessoas do mercado telefonaram para a coluna alertando sobre o estrago do que chamaram de indisfarçável manipulação de dados.
Analistas - como o respeitado Fernando Muraro, da Agência Rural, de Curitiba - acham que o Usda perde credibilidade cada vez mais, ao prever 43,5 milhões de t, quando o mercado brasileiro trabalha, convicto, com safra inferior a 42 milhões de t.





