Varejo da construção teme hipermercados


Vender mais, ainda que para isto tenha que reduzir a margem de lucro para ganhar na escala. Encantar o freguês. Fidelizar a clientela (para evitar sua debandada para os supermercados/hipermercados).
O varejo da construção civil quer ser tão ágil nas vendas quanto os supermercados - imbatíveis nas promoções (feitas às custas dos fornecedores).
Para imprimir essa agressividade, o setor está consciente de que precisa revolucionar os métodos calcados apenas em planos de financiamento. Aliás, os financiamentos - em que predominam prazos de 4/5 meses -, também devem ser ampliados.
Há algo que ninguém do setor assume, mas as chamadas casas de materiais de construção têm outra preocupação não revelada: é que grandes redes de supermercados ameaçam ampliar o leque de equipamentos e insumos da indústria construção.
Dias atrás, um dirigente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) disse a esta coluna que o diagnóstico está pronto, falta montar a estratégia - tarefa do Congresso Brasileiro de Material de Construção.
E o Congresso começou ontem, em SP. Direciona sua discussão para a temática que o dirigente previu. Investimentos em marketing, promoções no ponto-de-venda, etc.
Pesquisa do Instituto de Estudos da Distribuição e Varejo (Ipedv) aponta que os lojistas da construção estão empenhados em encontrar soluções que modernizem a gestão e a qualidade de atendimento.
Como o varejo da construção pretende reagir e se modernizar?
Segundo pesquisa, cerca de 85% dos logistas estão dispostos a investir em treinamento voltado para o marketing e oferecer benefícios aos vendedores. O levantamento ouviu 205 executivos de empresas de pequeno, médio e grande porte em todo o País.
O comérco da construção civil é forte: são 105 mil lojas que, no ano passado, movimentaram R$ 32 bilhões. A meta é crescer 12% este ano, comparados aos 4% do ano passado.
O debate do varejo da construção civil que se realiza em SP, também pretende traçar um perfil do setor de material de construção abordando perspectivas, oportunidades de negócios, investimentos, treinamento e qualificação de mão-de-obra, entre outros temas.
O debate não pretende ser um divisor de águas na história do varejo da construção. Mas, segundo seus organizadores, é possível que muitos saiam do congresso dispostos a mudar muita coisa, a começar da design da loja. Isto também conta.

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