Oswaldo Petrin
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em meados de junho, tem um papel estratégico. Nela o Banco Central tem que sinalizar, de forma explícita e contundente, que a economia não é tão vulnerável aos ataques especulativos (se é que se pode dizer isto) e que outras variáveis como eleições e adversidades macroeconômicas externas - como a crise argentina - não são, necessariamente, uma agravante.
Para isto o Copom terá de reduzir a taxa do juro básico, a taxa Selic, atualmente em 18,5% ao ano. Se o Copom - o colegiado integrado por técnicos do Banco Central - se posicionar acuado, elevando a taxa básica, ou mantendo denfesivamente os atuais 18,5%, no dia seguinte o bicho pega, como previu, ontem, um analista do mercado financeiro.
A postura defensiva, hoje, tem que ser outra, a que exibe um certo antídoto contra as especulações. Redução dos juros ainda que, digamos, em modestos 0,25%, sugere confiança na economia. Os juros altos - e tímidos -, pelo contrário, sugerem fraqueza.
Tal postura se justifica ainda mais após os resultados do Seminário de ontem, em São Paulo, sobre mercados emergentes, promovido pela Agência de Classiicação de Risco Fitch. Segundo operadores do mercado, os agentes financeiro internacionais demonstraram pessimismo em relação ao risco Brasil.
Essa cautela dos bancos de investimentos (especulativos) está focada nas eleições, mas não é apenas isto. Hoje todos sabem que o morimbundo governo de FHC está na reta final sem ter implementado reformas básicas como a fiscal; sabem que outros indicadores como o crônico déficit interno, miram para um aumento da fragilidade da economia. Logo, não são as eleições, apenas, que preocupam.
Mas juros baixos não precisam ser adotados apenas para disfarçar nosso medo. A economia clama por taxas mais civilizadas. Ontem, ao anunciarem crescimento nas vendas da indústria alimentícia, dirigentes do setor admitiram que a performance poderia ter sido melhor, não fossem as taxas de juros. O crediário, hoje, em vez de atrair, espanta o comprador.
Beneficiadas por esses deslocamento do consumo - representado pelos consumidores que não querem compromisso com o creditário e, então, gastam mais em alimentação - as vendas da indústria alimentícia aumentaram mais de 20% em abril.
Aliás, somente a migração dos gastos, para itens mais baratos, podem jusitificar aumento nas vendas do setor alimentício.





