O Proálcool teve todo tempo do mundo para ser reativado; o governo FHC vai passar batido. Não faltaram condições favoráveis, porém.
Ontem, o presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Carvalho, disse que se a indústria automobilística conseguir colocar no mercado pelo menos 100 mil carros a álcool nos próximos dois anos serão necessários 180 milhões de litros a mais do que o disponível hoje.
Esses 180 milhões de litros - na atual capacidade de produção do setor sucroalcooleiro, de 12 bilhões de litros/ano - não tem grande impacto. As usinas alegam que têm todas as condições para atender o acréscimo.
Na semana passada, ao visitar a Corol, em Rolândia, o diretor do Departamento do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan, foi perguntado sobre a não reativação do Proálcool.
Acabou jogando a culpa nas montadoras. O técnico etende que faltou determinação da indústria para a produção do carro a álcool.
Meses atrás - quando da tentativa de formação de cartel no varejo dos combustíveis, focado na gasolina -, muitos consumidores clamaram por uma oferta maior do motor a álcool.
E Ângelo Bressan, técnico experiente no setor, reconhece que ‘‘com a injeção eletrônica e outras melhorais, o carro a álcool hoje só agrega vantagens, incluindo economia e presevação ambiental’’. Comentário feito sexta-feira, em Rolândia, na presença do superintendente da Alcopar, Paulo Zaneti, e dos diretores da Corol Francisco Sella e Antônio Sérgio de Oliveira.
O governo FHC, que não incentivou o combustível vegetal, ainda joga contra os interesses do açúcar. Ontem, o representante dos produtores se queixou da proposta de taxar as exportações de açúcar (sugerida, dias atrás, pelo ministro da Indústria e do Comércio, Sérgio Amaral) para garantir o abastecimento de álcool.
O pressuposto é que as usinas - para aproveitar a oportunidade de exportar açúcar, passariam a produzir mais este produto, em detrimento do álcool.
O pressuposto é que as usinas - para aproveitar a oportunidade de exportar açúcar, passariam a produzir mais este produto, em detrimento do álcool.
Então por que não incentivaram o álcool na hora certa?
Nos últimos dois anos huve quatro misturas de álcool à gaslina, feitas com sucesso. Se considerarmos a diferença entre o volume mínimo permitido para ser adicionado na mistura e o volume máximo, há uma margem de 1,8 bilhão de litros. Por que não ampliar o mercado do álcool?.

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