Oswaldo Petrin
A proposta de misturar amido de mandioca à farinha de trigo deu um passo importante ontem para a concretização dessa idéia - que além de contribuir para a redução da importação de trigo ainda abre mercado para o setor mandioqueiro, um setor tem uma ampla função social e enfrenta dificuldades cíclicas.
É que ontem foi realizada a Audiência Pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei 4.679, que trata da adição de amido à farinha. Os dados apresentados na oportunidade pelas próprias indústrias do trigo serviram para os deputados se convencerem ainda mais de que a mistura é tecnicamente viável, como defende a Embrapa.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), Maurício Yamakawa, acompanhou a reunião como convidado e disse ter saído entusiasmado com o resultado da audiência. Ele acha que ficou visível que a adição será uma grande contribuição para o abastecimento do País. Houve quem defendesse um programa para a mandioca semelhante ao Proálcool nos anos 70, mas sem o paternalismo da época.
Também ontem foi escolhido o relator do projeto. Será o deputado Chico Graziano, do PMDB de São Paulo, simpatizante da proposta. O projeto sofrerá mudanças no seu texto original mas a proposta básica será mantida. Yamakwa disse que o deputado Moacir Micheletto usou de argumentos técnicos bem consistentes para fundamentar o interesse econômico e social da proposta.
No próximo dia 28 a audência pública será na Comisão de Direito do Consumidor (o setor mandioqueiro já depôs na Comissão de Agricultura) com o objetivo de clarear questões legais: se mistura esbarra na legislação que trata dos direitos do consumidor. Há alguns pontos obscuros que devem ser elucidados.
O setor mandioqueiro não quer antagorizar, segundo Yamakawa, que disse ter procurado diálogo com as entidades que representam os interesses do trigo. Mas briga pela fatia do mercado busca corrigir um erro histórico de política do abastecimento que priorizou a farinha.
Ousada, a mandioca representada pela ABAM, briga com pelo menos três setores muito poderosos: a indústria moageira de trigo, a indústria de panificação e a indústria de massas. Humilde, ganhou a simpatia dos políticos, que decidem.
A produção brasileira de amido de mandioca (fécula) cresceu 44% no ano passado, em relação ao ano anterior. No ano 2000 o setor produziu 400 mil toneladas, contra 575 mil t no ano passado. O Paraná responde por 75% do total do amido produzido no país, com a geração de 430.252 mil t.





