Oswaldo Petrin
Em vigor desde a zero hora, o aumento do dieesel (4,35% na refinaria 3% na bomba) agrava a crise no transporte, mas ainda não coloca o combusível como principal gargalo do setor, com participação média de 20% na composição dos custos. O sucateamento da frota sim transparece de maneira mais latente.
A realidade do transporte rodoviário preocupa a indústria e o comércio.
O transporte de carga no Brasil tem outros desafios. Neste momento discute-se a qualidade das empresas, com a introdução do Iso, um aferidor de discutível consistência. No caso do transporte, o Iso pode ser mais um peso estéril. Cumprir metas de qualidade com uma frota meio na banguela fica difícil.
Cerca de 72% dos 1,8 milhão de veículos transportadores de carga no Brasil (carretas, caminhões médios, comerciais e outros) têm mais de 10 anos de uso. A renovação ocorre a um ritmo de 3% da frota ao ano. Nessa velocidade a frota só estará renovada em 30 anos.
Ainda bem que o conceito de qualidade do transportes no Brasil é meia-boca. Qualidade e eficiência são entrega dentro do prazo combinado com o mínimo de avaria das mercadorias transportadas.
Se a qualidade puxar para questões ambientais, as coisas ficam ainda mais complicadas: caminhões com mais de 10 anos não são dotados de itens que tratem - por exemplo - da redução da emissão de gases poluentes.
Mas o problema imediato não é ecológico; é econômico mesmo. A demanda por caminhões este ano está prevista em 65 mil unidades. Modestíssima perto da demanda de 100 mil caminhões/ano no final dos anos 80. Detalhe: a oferta de cargas no mesmo período aumentou em média 18%, puxada, entre outros, pelos setores primário e agroindústrial.
Não se consegue baixar a idade média da frota brasileira sem repor pelo menos 150 mil camihões/ano, segundo o engenheiro Neoto Gonçalves dos Reis, assessor técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC).
Outro número nada animador do setor de transporte: o caminhão se envolve em 28% dos acidentes rodoviários, apesar de representar 5% dos veículos que estão rodando no País.
Apesar da crise ninguém duvida da importância do caminhão no país das rodovias esburacadas e ferrovias de bitola estreita. O caminhão faz circular 60% das toneladas/quilômetros transportado (T.KM) deste país. Levam 440 bilhões de T.KM/ano. Ou mais de 60% do PIB do transporte. O trem leva 20% (de cargas mais baratas), a hidrovia 13% e os dutos 4 a 5%.





