Oswaldo Petrin
-Dias atrás, o executivo de uma grande empresa paulista chegou em Curitiba, convocou uma entrevista coletiva e anunciou planos: instalar um escritório no Paraná e atuar no mercado de captação e investimento. O alvo é a pecuária, mais precisamente engorda de gado. Anunciados os objetivos, o telefone toca com certa insistência no dia seguinte, na Redação do jornal. Um consultor de empresa tranquiliza: não é arapuca, é negócio certo. Quanto ao método. Quanto aos executores, fica a cargo de cada um analisar.
-Mas o governo está preocupado. O crescimento do número de empresas que atuam no mercado com a captação de poupança privada para investimento em engorda de bois está proliferando muito rapidamente. É preciso regulamentar. Esta semana o Ministério da Fazenda começou a fazer examente isto: estudar a regulamentação dos Fundos de Investimento Pecuário. Há uma estimativa oficial de que já existam pelo menos dez empresas fazendo este tipo de operação no Brasil, a maioria operando apenas com engorda de bois e uma oferecendo contratos para aves, suínos e gado leiteiro.
-Não há restrição à forma de atuação das empresas. E o governo até considera que esta é uma boa idéia, já consolidada em países da Europa e na Austrália, mas que não pode ser comprometida pela atuação de empresas pouco sérias no mercado.
-Segundo um dos participantes do grupo, as empresas que atuam no ramo estão preocupadas para que não apareçam instituições pouco sérias no mercado, vendendo papel sem lastro. Um estudo feito pelo governo para fundamentar as discussões do grupo destaca que seria necessário assegurar alguns direitos ao investidor, como ganho (ou rentabilidade) mínimo pré-definido, para bezerro, garrote e boi; prazo mínimo para a engorda (ou resgate da aplicação); definição se o contrato é de prestação de serviços ou de parceria; estabelecimento de condições para o resgate (antecipado, de iniciativa do investidor, ou final, em dinheiro ou em produto), e a negociabilidade do contrato, entre outros.
-O assessor especial do Ministério da Fazenda, Cincinatto Rodrigues Campos, disse à Agência Estado - em entrevista ontem aos repórteres Mariângela Heredia e Nelson Breve -, que na primeira reunião do grupo as principais empresas que atuam no setor (Fazendas Reunidas Boi Gordo, a Gallus e a Ouro Branco), expressaram sua preocupação com a entrada de pequenos grupos produtores no mercado. Eles não estariam tomando os cuidados necessários, observou Campos, lembrando que a má-gestão de uma das empresas poderia contaminar todas. Campos nega que o governo esteja preocupado com uma possível falta de liquidez dos grandes fundos pecuários. Ele diz que os rumores são gerados em razão de os contratos terem cláusulas punitivas em caso de resgate antecipado. Mas as grandes empresas estão preocupadas em operar, com bastante segurança, inclusive fazendo seguro do rebanho para se precaver, defende o assessor.Boi gordo





