Na busca da aproximação com o consumidor, a indústria de bens de consumo e a produção primária encostam (investem) no varejo e queimam etapas do processo intermediário. Isto muda o perfil do varejo. É fato. (Tema dessa coluna na semana passada). Mas os setores atacadista e distribuidor, partes dessas etapas do processo, mandam sua versão, com dados que mostram crescimento.
Assim, segundo a Associação Brasileira dos Atacadistas (Abad), apesar do cenário econômico marcado pela redução do poder aquisitivo da população e desaceleração do PIB em 2001 e das perspectivas conservadoras para este ano, o mercado 2002 está favorável para o setor atacadista. Palavras da ACNielsen, consultora contratada pela Abad. O atacado cresce, portanto. O pior para o atacado já passou: era a concentração das redes de super/hipermercados.
O estudo (inédito) da ACNielsen aborda o comportamento do consumidor, as vendas de bens não duráveis de consumo doméstico e a estrutura do varejo alimentar brasileiro.
Dois fortes indicadores apontam para essa constatação: o crescimento da representatividade classes C e D entre a população economicamente ativa (chega quase a 50%) e o aumento do número de supermercados de vizinhança e do pequeno varejo, os focos do atacado.
A queda de participação de vendas dos hipermercados no varejo alimentar, acompanhada do aumento da representatividade de lojas de menor porte (de 1.000 m2 a 2.000m2), eleva a importância do atacado no processo de distribuição, por ser esse o segmento que atende pontos-de-venda independentes. Por isso, o atacado tem até chances de aumentar sua participação na distribuição, seja na forma tradicional de compra e venda ou como operador logístico.
Segundo Ari Gonzális, gerente de atendimento ao varejo da AC Nielsen, ‘‘se a indústria quiser cobrir esse universo pulverizado de lojas, terá de buscar a parceria com o setor’’. Distribuição é o nome do jogo, acrescenta Arthur Bernardo Neto, gerente de atendimento comercial da empresa.
Enquanto a população brasileira aumentou 11% nos últimos dez anos (1991-2001), o número de lojas de varejo de alimentos nas áreas cobertas pela Nielsen cresceu ao redor de 40%; com isso, o número de lojas para cada mil habitantes saltou de 4,16 para 5,25.
A loja de vizinhança - auto-serviço com 10 a 19 check-outs - é o formato que mais tem se destacado no cenário do varejo nos três últimos anos (1999-2000-2001), se comparado aos super/hipermercados - auto-serviço de 20 e mais check-outs -, pequeno varejo (lojas tradicionais e auto-serviço com 1 a 9 check-outs), bares e farmácias. Sua participação nas vendas do varejo alimentar tem crescido, passando de 12,8% para 14,4%.
A loja de vizinhança é também o modelo de loja com maior evolução nas vendas ao consumidor, registrando 16% de crescimento a partir de outubro/novembro de 1998. No mesmo período, as vendas do pequeno varejo alimentar cresceram 8% e as de supermercados grandes/hipermercados caíram 3%. O pequeno varejo continua tendo a maior representatividade em relação aos outros formatos de lojas: cerca de 43%.

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