Oswaldo Petrin
Do empresário Aluísio Quintanilha para esta coluna, ontem: Querem adicionar farinha de mandioca à farinha de trigo mas isto é tecnicamente impossível. É idéia de quem não entende nada de engenharia de alimentos. Nem de qualidade. Não vamos concordar em enganhar o consumidor.
Quintanilha é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas Alimentícias (Abima). O macarrão que está numa luta sem trega pela melhoria da qualidade, não é o único prejudicado com a adição. Também perderiam atributos originais os pães e biscoitos - doces ou salgados, com maior ou menor teor manteiga -, afinal eles têm farinha como matéria-prima principal.
Segundo Quintanilha, o amido (da mandioca) vai quebrar o glúten (do trigo) e vai empapar a farinha, justamente quando os programas de qualidade propõem um glúten firme para perseguir a qualidade dos alimentos. Em tempos de economia global seria um retrocesso.
Para o leitor entender, está ocorrendo o seguinte: os empresários que formam a cadeia produtiva da indústria do trigo não querem nem ouvir falar no projeto de lei que obriga a adição de 10% de mandioca à farinha de trigo (toda farinha de trigo consumida no País nas mais diversas formas).
A Associação Brasileira da Indústria de Biscoitos (Abib) a de Confeitaria e Pães (Abip) e a Abitrigo (indústria moageira) também pensam como Quintanilha. Tanto que nenhum representantes desses setores compareceu ontem à discussão do assunto na Câmara dos Deputados.
O projeto é do deputado federal paulista Aldo Rabelo (PC do B). Este é outro ponto intrigante para os empresários do trigo: eles acham que a proposta pode virar lei e se virar lei a indústria e o consumidor vão ter que engolir goela abaixo.
A alegação dessas indústrias é que a obrigatoriedade da mistura da mandioca
contraria todas as regras do mercado, além de acabar por representar um pesado ônus para a indústria que precisaria investir em novos equipamentos e processos de produção adequados à mudança de ingredientes.
As indústria procuraram respaldo de instituições de pesquisas e argumentam que o trigo - embora essencialmente energético -, possui entre 9% e 12% de proteína, enquanto a mandioca tem teor protêico de 2%. O trigo é fonte de vitaminas do complexo B enquanto a mandioca não é fonte vitamínica.
Outro ponto: a adição vai dar margem à fraudes. Além disso, pelos cálculos da Abima, na proporção de 10% (700 mil toneladas de fécula/ano), a produção de mandioca, hoje, pode não ser suficiente para atender a demanda da adição.
A briga vai longe porque a mandioca briga por espaço, tem uma função social importante. A indústria do trigo retruca: a mandioca que procure nichos de mercado que existem muitos. Não dá para pegar carona no trigo. A Abima acrescenta: como vamos ficar com o macarrão italiano que entra a todo vapor? Se houver mistura, a Abima anuncia: vai importar farinha de trigo.





