Oswaldo Petrin
Mais uma vez os juros básicos não serão reduzidos, inibindo as chances de crescimento econômico via aumento de consumo, que gera emprego, que distribui a renda, que estimula as compras, que encorajam aumento da produção, e investimentos...que geram empregos...enfim, formando o salutar círculo que exigena a economia.
É que, no final do expediente de ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou que decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 18,5% ao ano, sem viés. Oportunidade de redução, agora, só na próxima reunião, a de maio. A decisão contraria prognósticos mais otimistas.
Queda dos juros básicos - quando há - nem sempre implica em redução das taxas praticadas no mercado. Mas, com certeza, quando ocorre o contrário, ou seja a Selic em alta, como agora, os juros (de crédito pessoal, diretos ao consumidor, cartões, etc) permanecem altos. A taxa do Copom, sinaliza o ritmo de crescimento econômico em tempo de economia engessada, como nos últimos anos.
É contraditória a decisão do Copom porque as variáveis externas - que têm um peso importante na condução da política monetária - estão bem comportadas, com exceção do conflito no Oriente Médio, que tende a afetar linearmente o petróleo. Outra variável, a Argentina, virou rotima e exerce pouca influência neste momento.
Pelo andar da tropa do Banco Central, a economia brasileira só retoma minimamente as metas de crescimento (não a comprometida com o FMI, mas as taxas esperadas pelos setores produtivos) no segundo semestre. Se retomar.
Os indicadores até agora só expressam recuperação localizada, tipo bolha de crescimento e consumo, que não chegam a exercer influência sobre os números finais.
O comprometimento fica por conta da ducha fria sobre as previsões de oferta e consumo agregados de bens, ducha esta aplicada pelos reajustes (aumentos reais!) de tarifas públicas, as mais diversas. Com menor impacto contribuíram também a falta de reversão no desemprego e ausência de melhoria de ganhos da renda média, achatada pela inflação escamoteada entre as médias que falseiam o verdadeiro impacto sobre a cesta básica. Afinal, apesar do bom comportamento dos preços dos alimentos básicos, alguns itens atropelaram em muito as médias que transparecem nas estatísticas oficiais.
O jeito é capitular, de novo, diante dos juros. Afinal, neste momento, pouco adiantaria reduzir a Selic se o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ameaça subtrair um pedaço maior do que o abocanhado pela CPMF.
Finalmente, nem em ano de eleição a equipe do governo FHC age olhando para a economia produtiva. Mantém-se até o fim do mandato protegida pelos instrumentos de política monetária. São de fácil manejo e não exigem imaginação. E essa gente ainda estufa o peito para comemorar uma estabilidade econômica que manta de fome e desgosto.





