O leite longa-vida, na caixinha Tetra Pak, foi relacionado entre os obstáculos à melhoria dos preços ao produtor nas discussões da CPI do leite no Paraná. Houve sugestões para que se estude a redução do prazo de validade para menos de seis meses. Em outro enfoque dos problemas do leite, a caixinha foi alvo de nova crítica: é que a indústria da embalagem é única (Tetra Pak) e isto, na opinião de técnicos e membros da CPI, não é bom para a cadeia produtiva do leite.
Embora prática - e excelente fator de economia para o consumidor -, a caixinha não é bem recebida pelos produtores. Este, no entanto, não é o principal gargalo do abastecimento - é bom que se diga. A bem da verdade, a caixinha é solução, não é problema.
Mas, pelo menos com relação ao longa-vida a CPI já não precisa se preocupar tanto. É que ontem a Parmalat admitiu trocar a caixinha longa-vida por garrafas plásticas. O lançamento está programado para meados de maio.
Em São Paulo o Idec (defesa do consumidor) está de olho na mudança e vai acompanhar a reação do consumidor com relação à garrafa. Além disso quer saber se ela terá a mesma capacidade de conservação que a caixinha (de alumínio por dentro, papelão por fora sobre filme de polietileno de baixa densidade).
Soja modificada - Um ano atrás, a maioria das cooperativas de grãos do Paraná se manifestaria favorável ao plantio da soja transgênica. Não havia uma posição declarada, mas opção pelos transgênicos era uma questão de tecnológica e economia. Hoje as cooperativas temem que a soja transgênica provoque perda de clientes potencialmente importantes como a China e países europeus.
Entre as cooperativas, as posições com relação aos transgênicos não são ideológicas. As cooperativas ‘‘pendem para o lado que é melhor para os clientes’’. Cliente é aquele que compra o produto (grãos, óleo, torta, farelo) do cooperado conferindo liquidez à economia do campo.
A soja transgênica perdeu o melhor momento para entrar no mercado, e dificilmente, vai ter outra oportunidade.
Soja transgênica no Paraná agora vai ser difícil, depois de sucessivas interdições de campos de produção. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) mostrou uma posição clara desde o início: é contra, por achar que a soja convencional terá nichos de mercado entre consumidores contrários aos transgênicos. Esses mercados estariam dispostos a pagar mais pelo grão convencional.
Agora, além da Faep - que tem uma força política extraordinária junto aos produtores - também as cooperativas se colocam praticamente contra os transgênicos. Na dúvida, não recomendariam o plantio.
As cooperativas, pelos dados apresentados pelo presidente da Ocepar, João Paulo Koslowski (palestra proferida na semana passada, em Londrina), o Paraná tem 60 cooperativas produtoras de grãos, carne e leite; produzem e comercializam mais de 80% da soja e reúnem 98,3 mil associados.
Se eles não plantarem tansgênicos, quem plantará? Detalhe: o presidente da Ocepar não se pronunciou sobre soja transgênica. A ele estamos atribuindo apenas os dados sobre o cooperativismo.

mockup