Jornalistas dos Estados Unidos, Finlândia, França e outros países, passaram por Londrina na semana passada, em mais uma etapa para ‘‘avaliar’’ o sistema de produção de carne brasileria, a convite da Associação dos Exportadores de Carne (Abief), que quer divulgar o boi verde e saudável. Estavam acompanhados de diretores da Faep e conversaram bastante com diretores do Sindicato Rural.
O programa prevê a visita de outros grupos, de países europeus. O esforço é para manter a boa performance das exportações do ano passado (cerca de US$ 1 bilhão).
Mas ontem surgiram números pouco otimistas. A realização de novos contratos registra queda desde janeiro, e é óbvio que as exportações de carne vão cair, diz o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançado em Economia Aplicada), Sérgio De Zen, que acompanha o movimento do mercado.
O Brasil, avalia Zen, em entrevista à Agência Folha, ‘‘não fez nenhum milagre no ano passado. As empresas não criaram marca própria ou mercado cativo. Apenas aproveitaram o momento em que o preço estava competitivo’’, diz.
A alta de 2001 foi atípica, diz o pesquisador. O total de embarques foi de 317 mil toneladas, em 2000, para 503 mil (alta de 58,7%).
Zen lembra que o Brasil foi favorecido por dois aspectos: a desvalorização do real, que chegou a deixar o boi 40% mais barato em dólar, e os reflexos dos surtos de febre aftosa e da doença da vaca louca, que afastaram do mercado competidores importantes, como Argentina e Europa.
O cenário mudou. A cotação do dólar no Brasil caiu, os concorrentes estão voltando ao mercado e a economia internacional cresce devagar. O importador, que fez estoques, agora força a redução do preço, avalia Zen. ‘‘Os frigoríficos brasileiros vão viver um momento de aflição e ser pressionados como nunca para manter o preço baixo’’, declara.
No mercado paulista, que serve de referência nacional, o frigorífico paga US$ 19 pela arroba do boi (unidade de medida que equivale a 15 quilos). Na Argentina, que tem um produto mais conhecido e divulgado no exterior, a arroba está cotada em US$ 13.
‘‘Chegou a hora de conferir as conquistas da carne brasileira no exterior’’, define Marco Bicchieri, diretor de exportação do frigorífico Bertin, um dos líderes nas vendas externas de carne bovina.
Café - O volume de café exportado em março cresceu 16,3% sobre igual período de 2001, ao alcançar 1,83 milhão de sacas. O primeiro trimestre também obteve taxas positivas: foram embarcadas 5,19 milhões de sacas, alta de 18% sobre os primeiros três meses do ano passado. Os dados foram divulgados ontem pelo Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé).
O faturamento obtido entre janeiro e março, ao contrário, fechou 22% abaixo do trimestre do ano passado ao atingir US$ 98,845 milhões. A queda se explica por conta do aumento crescente da oferta do produto no mercado internacional, especialmente proveniente do Vietnã.
Segundo Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé, em entrevista à Agência Estado, o incremento das exportações nos primeiros três meses do ano já permite afirmar que as vendas externas deste ano podem superar o resultado de 2001, quando o Brasil bateu o recorde em exportações, com 23,4 milhões de sacas vendidas.

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