Tão importante quanto as especificações, em rótulo, do conteúdo e composição do café em pó, é o controle de impurezas. A lei 13.519 que trata da nova rotulagem, promove o que os produtores mais querem: separar o joio do trigo e, como foi dito aqui, pode se transformar em divisor na história da comercialização do café. Mas perde força se, simultaneamente, não sanear outros itens - mais prejudiciais à saúde.
Não adianta impedir que se tome robusta - de qualidade inferior - no lugar do arábica, que é nobre e tem menos cafeína -, se parte da matéria-prima nem chega a ser robusta, mas sim palha de café - que além de subproduto, ainda absorve resíduos agrotóxicos e agentes de contaminação, pois afinal, trata-se de casca. Ainda que torrada, é casca. Ou palha.
É uma tarefa para a CPI do café. Mas é alvo da legislação que vai tratar da embalagem. É da qualidade intrinseca.
Ninguém duvida, por exemplo que entre essas impurezas são encontrados - igualmente torrados e moídos - também o triguilho, o milho e o triticale. Adicionados ao café, esses ‘‘ingredientes’’ reduzem os custos, mas prejudicam a saúde do consumidor e tomam o lugar da verdadeira matéria-prima, o café. Prejuízos para os bolsos de uns, estrago na saúde de tantos outros.
O comerciante de café Marcos Bassetti alerta para outro aspecto: o cumprimento da legislação. A lei é boa, se cumprida, sem cair no esquecimento.
E outros comerciantes ouvidos ontem por este jornal fazem uma reclamação. Segundo eles, o próprio Estado - e os governos federal e municipais - contribuem para prejudicar o mercado. É que as licitações para abastecimento do cafezinho em repartições públicas, ao levarem em conta o fator preço, acabam premiando os produtos de qualidade inferior. Para competir, as indústrias precisam reduzir custos. Redução custos quase sempre ocorre em detrimento da qualidade.
É justo e merecido que se comemore uma grande vitória - na verdade um avanço, por enquanto. Mas não se deve perder de vista que a lei ontem festejada em evento muito concorrido só terá eficácia se cumprida em todos os seus itens.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, repudiou ontem a ação da organização não-governamental americana-canadense Focus on Sabatical, que está tentando convencer os produtores brasileiros de soja a deixarem de produzir em troca de uma indenização.
‘‘Eu considero esta proposta inadequada, inaceitável e irresponsável. Esta organização deve propôr aos países ricos, como Estados Unidos e Canadá, que deixem de conceder subsídios que depreciam os preços no mercado internacional’’, salientou.
O ministro está certo. Mas nem todos os produtores pensam assim. Bem que alguns já compraram de suas lideranças, que pelo menos promovam uma ampla discussão sobre o assunto. A ameaça de redução de plantios - ainda que não adotados - dizem - seria útil pelo menos para evitar redução de preços. Duas ou três reuniões com agentes da Focus on Sabatical, seriam suficientes para agilizar a comercialização.

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