Oswaldo Petrin
-As importações agrícolas brasileiras cresceram 318% nos últimos dez anos, passando da média de US$ 1,7 bilhão no período 1987-89 para US$ 7,1 bilhões em 1996. A avaliação foi feita ontem pelo economista Fernando Homem de Melo, da Universidade de São Paulo (USP), durante o Seminário Renda Rural e Emprego na Agricultura, na Câmara dos Deputados.
-Para o pesquisador, o Brasil está se tornando um grande importador de produtos agrícolas, contrariando sua vocação natural de produtor. Em sua avaliação, o setor agrícola está praticamente estagnado, sem geração de emprego e renda, pagando um pesado preço pela valorização cambial, pois em uma economia aberta o valor de mercado da taxa de câmbio é crucial para a rentabilidade das atividades produtivas.
-O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, disse à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado, que produtos como o trigo, leite, e borracha, subsididados na origem, estão entrando no Brasil em quantidades crescentes e o estado não tem coragem ou competência para acionar mecanismos que inibam essa concorrência desleal, com longos prazos de financiamentos e reduzidas taxas de juros.
-O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, admitiu que o processo de importações está asfixiando alguns setores da agricultura brasileira, enquanto o deputado Delfim Netto (PPB-SP) destacou que a agricultura foi e é hoje o suporte para o Plano Real, tanto por manter os preços da cesta básica praticamente estáveis como para reduzir o déficit da balança comercial.
-A redução brutal do emprego na área rural foi o destaque do pronunciamento do coordenador do Fórum Nacional da Agricultura, Roberto Rodrigues. Com base em dados do Departamento de Planejamento Agrícola do Ministério da Agricultura, ele disse que, de 1989 a 1996, dois milhões de pessoas foram desempregadas nas fazendas brasileiras. Nos últimos 16 anos, segundo ele, a renda do agricultor caiu 49%.
-No seminário promovido pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, foi aprovada uma agenda para a recuperação da renda rural e do emprego na agricultura, que será entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
-Segundo o deputado Hugo Biehl (PPB-SC), presidente da Comissão, entre as propostas estão a reestruturação do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), antecipação da reforma tributária, com a revisão da carga incidente em toda a cadeia produtiva rural, o saneamento financeiro do setor agrícola, um plano plurianual de produção, abastecimento e exportação e a criação de um grupo de trabalho no Congresso para propor uma nova lei agrícola.
-Importar não é pecado. O problema do Brasil é não saber importar. Tem vocação para o desperdício. Importa extemporaneamente e engorda o subsídio que os países estrangeiros dão à sua agricultura e que aqui é palavrão. Leilão/café





