Oswaldo Petrin
-Como já estava previsto, os produtores de álcool e de cana-de-açúcar que integram o Comitê Consultivo do Açúcar e do Álcool propuseram ontem ao ministro da Indústria, Comércio e Turismo (MICT), Francisco Dornelles, a adição de álcool ao óleo diesel como a principal medida de curto prazo para a absorção da produção excedente desse produto, estimada em cerca de 2 bilhões de litros.
-O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, Manoel Antônio Soares Neto, disse ontem à Agência Estado que a mistura de 5% de álcool no diesel poderá resultar no consumo adicional de 1,5 bilhão de litros por ano. Segundo ele, caso os estudos técnicos sejam feitos rapidamente, a nova mistura poderá entrar em vigor em dois ou três meses.
-Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçucar), José Ranulfo da Costa Queiroz Neto, lembrou que com a liberação das exportações de açúcar pelo governo deverá haver um adicional das vendas ao exterior de R$ 600 mil toneladas, com um embarque total de 6 milhões de toneladas de açúcar. Como o mercado mundial é limitado para o açúcar, todo o excedente de cana - cuja safra brasileira será recorde este ano, com mais de 300 milhões de toneladas - deverá ser transformado em álcool.
-Queiroz disse ainda que durante a reunião com o ministro Dornelles foram discutidas outras alternativas para o aproveitamento do álcool excedente, como a criação da frota verde (uso de veículos oficiais movidos a álcool), a utilização de veículos a álcool pelas frotas de táxis e a volta da fabricação de carros a álcool pelas montadoras de automóveis.
-Segundo os participantes da reunião, há uma proposta das locadoras de veículos no Brasil de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para transformar a frota de 80 mil veículos para álcool. O setor industrial deseja também, segundo os participantes, que a produção de carros a álcool no Brasil atinja pelo menos 10% do total de veículos produzidos nos próximos anos. Atualmente a produção de carro a álcool no País é zero. O governo ficou de estudar todas as propostas.
-Alternativas não faltam para o governo revitalizar o setor, atingindo tanto a lavoura como o que se pode chamar de resgate do carro a álcool. Mas, como as soluções, no Brasil, vêm por caminhos marginais, é pouco provável que argumentos de ordem econômica sejam suficientemente convincentes. Empresários do setor acham que uma boa maneira de fazer o plano decolar seria a pressão internacional pela despoluição ambiental nas grandes cidades. A solução pode não ser econômica, mas ecológica. Qualquer coisa no sentido do combustível verde.TDAs





