O ministro da Fazenda, Pedro Malan, não se fez de rogado, na oportunidade que teve, ontem, de falar ao ritmo que lhe confere o ano eleitoral.
Em lugar de habituais frases herméticas, em linguagem quase cifrada, desta vez Malan foi claro no seu depoimento (na audiência pública na Comissão de Orçamento do Congresso Nacional). Disse o ministro: ‘‘Os juros precisam baixar e vão baixar’’. Disse também que os juros altos são ‘‘insustentáveis’’ por um período prolongado de tempo.
Nem parecia que era Malan quem falava. Segundo o ministro, a trajetória dos juros é declinante. ‘‘Baixarão com tanto mais intensidade e velocidade quanto mais sejamos capazes de mostrar não ao resto do mundo, mas a nós mesmos, a sociedade, que estamos sendo capazes de equacionar os nossos problemas’’, afirmou Malan à platéia de deputados.
Justamente Malan, homem forte de um governo que teve tudo para reduzir juros, fazer reforma tributária e transformar a economia num grande distribuidor de rendas, gerador de empregos. E não fez. E nem fará, apesar de dois generosos mandatos. - -
Malan pelo menos reiterou que a redução da taxa de juros também está associada à consolidação do ajuste fiscal, de cumprimento das metas de inflação e da capacidade de o Brasil demonstrar que atingiu um estágio de amadurecimento, onde eleições presidenciais podem ser encaradas apenas como ‘‘uma eleição’’. Informação da Agência Estado, ontem.
Malan fala sobre juros ter o Copom (Comitê de Política Monetária) tirado mísero 0,25% de um patamar de 19% da taxa Selic (ficou em 18,75%). A dose é demasiado homeopata para uma economia que pressa.
Ainda ontem, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) previu um encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre em 0,6%. Será a primeira taxa trimestral negativa pelo menos em dois anos.
A economia fechará 2002 com crescimento de 2,5%. Na prática, a retomada só vai se consolidar no segundo semestre, com um crescimento de 4,4%, ante a expansão de apenas 0,65% nos primeiros seis meses.
Os indicadores econômicos apontam uma economia desaquecida, ou em rítmo muito aquem da taxa de crescimento democrático que demanda mercado de trabalho. Mas se os aferidores de desenvolvimento forem os indicadores sociais, aí então as coisas se complicam. Esses indicadores incluem os índices de violência urbana. Sem comentário.

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