As exportações brasileiras de álcool podem ser beneficiadas com a crise de abastecimento da Califória, que depende do álcool de milho do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Este pode ser mais um mercado que se abre para o produto brasileiro a partir de 2003. Embora o mercado exportador se apresente mais propício à produção paulista, cujos produtores estão melhor articulados, o Paraná também se beneficia com espaços que se ampliam no mercado interno e com a própria chance de exportação.
As agências de notícia informaram ontem que na próxima semana, uma comitiva de usineiros brasileiros deve embarcar, para Califórnia para divulgar o produto brasileiro, que apresenta vantagens sobre o álcool derivado do milho.
Mas, tanto usineiros como governo descartam explorar esse ângulo. A estratégia do Brasil é propor uma parceria com o governo da Califórnia e, a partir daí, propor alternativa (ao governo norte-americano) à substituição do aditivo MTBE - o éter petroquímico - pelo álcool na gasolina. No caso álcool derivado da cana. As chances são maiores com relação à Califórnia: a partir de janeiro de 2003, o Estado da Califórnia, que tem uma frota de veículos superior à do Brasil, deixa de usar o MTBE e passa a adicionar álcool à gasolina, necessitando de volumes da ordem de 2,2 bilhões a 2,7 bilhões de litros ao ano.
Segundo Alfred Szwarc, consultor técnico da União da Agroindústria Sucro-alcooleira de SP, em depoimento à Agência Estado, ontem, a expectativa é de que a substituição do MTBE pelo álcool, menos poluente, aconteça em todo o país, cuja frota é de 170 milhões de veículos, ante 20 milhões no Brasil. O Brasil é o primeiro produtor mundial de álcool, produzindo uma média de 12 bilhões de litros ao ano, mas com capacidade para 16 bilhões. Nos EUA, a produção vem crescendo ano a ano. Em 1999, foram 5,6 bilhões de litros; em 2000, 6,2 bilhõ es/l; em 2001, 6,7 bilhões/l. Até 2010, querem chegar a 19 bilhões de litros, contando com a construção de 20 novas unidades de produção de etanol.
Além dos Estados Unidos, outros países começam a olhar com mais cuidado para o álcool automotivo. A China, por exemplo, está montando um programa para produzir álcool a partir do milho também para servir de aditivo para a gasolina, aproveitando-se de excedentes de produção do cereal. A Índia também está engatilhando um programa semelhante. No México, a recente anuência da estatal petroleira Pemex à utilização de álcool de cana deverá expandir esse mercado na região.
Com o uso do álcool no mercado norte-americano, o Brasil considera que será possível impulsionar a formação de um mercado internacional de álcool, tornando-o uma espécie de commodity ambiental, descongestionando o mercado de açúcar, já que uma parte dos produtores se sentiria mais confiante para migrar do açúcar para o álcool.
Desabastecimento californiado a parte, as exportações de álcool combustível deverão crescer 50% na safra 2002/2003, atingindo a marca de 600 milhões de litros, de acordo com as projeções da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo. De acordo com o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, várias iniciativas espalhadas pelo mundo com o objetivo de viabilizar o álcool combustível como aditivo à gasolina estão servindo para consolidar um mercado internacional.

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