Oswaldo Petrin
Mísero recuo de 0,25% na taxa de juros básicos, quem diria, está causando polêmica porque o mercado - exatemente o mercado precisa se livrar do arrocho monetário para crescer - acha que tal afrouxamento pode comprometer as metas de inflação. Aí é preciso que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, compareça na Ordem dos Economistas de SP e diga: não, não há risco algum.
Um mercado mais realista que o rei; mais conservador que a equipe econômica que tem medo de tudo, a mantém a inflação pressionada a todo custo: desemprego, ausência de crescimento econômico etc.
Ontem, o economista Aloísio Araújo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não partilha da preocupação de parte do mercado de que, ao baixar o juro básico para 18,75%, o Banco Central arriscou-se a arranhar a credibilidade do sistema de metas de inflação.
Araújo está, de certa forma, numa posição oposta a esta corrente de mercado: Eu diria ao Armínio Fraga, presidente do BC, para não se apressar em trazer a inflação de volta para a meta, ele diz (entrevista ontem à tarde a Fernando Dantas, da Agência Estado).
Ele distingue dois tipos de fatores que podem levar a uma alta forte da inflação em um regime de câmbio flutuante, com metas. O primeiro é o que ele chama de falhas do sistema, e que têm a ver com a condução da política monetária. O segundo são aqueles fatores sobre os quais o BC não tem nenhum controle.
Em 2001, houve uma série de fatores deste segundo tipo: crise e colapso argentino, crise energética, recessão nos Estados Unidos. Por causa da alta dependência de países emergentes como o Brasil de capitais externos voláteis, a redução da liquidez internacional para o País tem impactos macroeconômicos bem mais fortes do que no caso dos países desenvolvidos. No Brasil, isto se reflete em movimentos extremos do câmbio, com impacto inflacionário significativo.
A margem de erro (do sistema de metas) é para acomodar choques mais usuais, como variações normais do humor internacional em relação ao risco Brasil, diz Araújo. No caso de choques de grande magnitude, as margens de erro podem ser insuficientes, e não há nada a se fazer quanto a isto. Uma solução seria aumentar ainda mais a margem de erro, mas isto talvez fosse ruim porque poderia ser aproveitado para acomodar aumentos de inflação que fossem efetivamente falhas do sistema.
Assim, a melhor opção, em termos de não prejudicar o crescimento econômico desnecessariamente, e de preservar a relação entre dívida pública e PIB, é trazer a inflação de volta para a meta sem pressa excessiva - mesmo que isto signifique uma inflação mais alta do que o teto da meta.
Se ocorressem choques de grande magnitude durante anos seguidos, o BC poderia estourar seguidamente o teto da meta, sem necessariamente comprometer a credibilidade do sistema.





