A recessão tradicional de todo primeiro trimestre, na verdade chegou antes. Em dezembro, mes de euforia, a economia brasileira empregou menos. E a folha de pagamento da indústria também foi menor.
Os indicadores de emprego e rendimento da indústria tiveram uma piora generalizada no final do ano passado: houve uma queda de 1,7% no número de pessoas ocupadas na produção e de 1,2% na folha de pagamento real do setor na comparação de dezembro de 2000 com o mesmo mês de 2001.
Essa piora, apontada pelos dados do IBGE divulgados ontem, não ficou concentrada. Ao contrário, atingiu 9 das 14 áreas pesquisadas e 15 dos 18 segmentos.
Segundo a economista do Departamento de Indústria do IBGE Denise Cordovil, em entrevista ao repórter Pedro Soares, da Agência Folha, a queda da ocupação em dezembro foi impulsionada, principalmente, pela retração de 2,5% verificada em São Paulo. No Rio, a queda ficou em 6,6%, também tendo impacto expressivo sobre o índice nacional.
Com o nível de emprego caindo desde setembro do ano passado, a indústria paulista cortou 3,4% dos seus postos de trabalho no período de agosto a dezembro de 2001.
Também tiveram impacto sobre o resultado da indústria geral as regiões Sudeste (-1,3%) e Sul (-1,2%), além do Paraná (-1,5%), Santa Catarina (-1,2%) e Rio Grande do Sul (-1,1%).
Em relação a novembro, a ocupação da indústria apresentou queda de 1%. E a média móvel trimestral -indicador que ‘‘tira’’ a média dos últimos três meses encerados no mês de referência- ficou negativa em 0,6% em dezembro.
Para Denise (na mesma entrevista à Agência Folha), o resultado de dezembro e o apontado pela média trimestral são bons, se for levado em conta a forte desaceleração da produção da indústria no ano passado, reflexo das crises de energia e argentina e da pressão sobre o câmbio.
Por setores, os que mais contribuíram para o corte nos postos de trabalho foram madeira (com queda de 9,7%), máquinas e aparelhos elétricos, eletrônicos e de comunicações (-2,5%) -este ramo influenciado pelo racionamento-, produtos químicos (-4,3%) e minerais não metálicos (-3,5%).
Entre os setores com ampliação no número de empregados, destaca-se o de petróleo e produção de álcool, cujo crescimento de 31,3% tem influências sazonais em razão do aumento do número de usinas de álcool nas regiões Norte e Centro-Oeste, Nordeste, Minas Gerais e São Paulo.
No caso da folha de pagamento, o aumento de 22,8% de novembro para dezembro foi por causa do pagamento do 13º salário. Apesar dessa ampliação, a redução de 1,2% ante dezembro de 2000 é explicada, sobretudo, pela retração de 3% da folha da indústria paulista.
Também tiveram quedas expressivas as folhas do Paraná (-4,7), Bahia (-3,9), Sudeste (-2,4) e Rio de Janeiro (1,9%).
O total de horas pagas na produção caiu 1,9% de novembro de 2001 para dezembro. Na comparação com dezembro de 2000, a redução foi de 2,3%.

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