A redução em apenas 0,25% na taxa de juros básicos (agora em 18,75%), decidida ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) é ínfima mas tem um efeito psicológico, ao sugerir que a economia está estável, que as metas da inflação serão cumpridas e que o Brasil está menos suscetível à contaminação da crise da Argentina.
Tem que ficar claro que é ilusório entender a redução da taxa Selic como sinalizador de redução dos juros de mercado, qualquer que seja a modalidade de crédito.
A Agência Estado ouviu bancos, financeiras, administradoras de cartão de crédito e outras instituições que trabalham sob a influência dos juros praticados no mercado. Todas elas sinalizam que a diminuição da Selic não terá impacto imediato no bolso dos consumidores.
A Fininvest, com produtos nas áreas de crédito pessoal e cartões de crédito, informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que os juros cobrados pela empresa não têm relação direta com a Selic, já que são influenciados principalmente por indicadores como custos administrativos, peso dos impostos e índice de inadimplência. A mudança desses fatores é que levam à correção das taxas da companhia.
Na Losango, outra empresa de financiamento de crédito, o gerente de novos negócios, Leandro Vilaim, ressaltou o peso da inadimplência - e não da Selic - na correção das taxas de juros. ‘‘Para nossa empresa, uma variação de 1 ponto porcentual na Selic não tem tanto impacto quanto a variação de 0,1 ponto porcentual nos índices de inadimplência’’, diz. Para ele, uma taxa básica menor irá pesar mais no humor e na expectativa dos consumidores do que nos indicadores econômicos.
Os bancos se mostraram reticentes em apontar qual será a influência da queda da taxa básica de juros sobre o setor. ABN Amro Bank, Bradesco, Itaú e HSBC anunciaram que, no momento, não irão mudar suas taxas de juros e preferem esperar uma resposta do mercado à decisão do Copom.
No HSBC, a Assessoria de Imprensa declarou que a Selic representa apenas um indicador geral dos juros do mercado e que seu impacto sobre as instituições financeiras requer um tempo de avaliação por parte do setor bancário.
O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, saudou a decisão do governo de reduzir a Selic (que estava em 19% desde julho), mas ressaltou que a medida terá impacto pequeno sobre as taxas de financiamento ao consumidor, especialmente para os setores em que os preços sobre os quais incidem os juros não são tão elevados - eletrodomésticos, móveis etc.
As administradoras de cartão de crédito Visa e Mastercard esclareceram que as taxas de juros que incidem nos cartões são determinadas unicamente pelos bancos e que, por isso, a Selic quase não tem efeito prático sobre seus negócios. Ou seja, para que os juros cobrados no cartão de crédito recuassem, os bancos deveriam primeiramente diminuir suas taxas.

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