Oswaldo Petrin
O aumento de subsídios à produção agrícola dos EUA, que está sendo discutido no Congresso americano, terá poucos reflexos no mercado internacional de soja. A avaliação é do especialista em política agrícola americana, Robert Hauser, da Universidade de Illinois (EUA). Hauser proferiu palestra na sede da BM&F, em São Paulo.
O analista acredita que o aumento de recursos à agricultura apenas eleva o preço da terra nos EUA. O que faz com que os produtores plantem mais e mais grãos é a competitividade da agricultura americana.
O novo pacote agrícola americano (Farm Bill) está em fase final de avaliação no Congresso dos EUA. Depois de ter passado em versões diferentes na Câmara e no Senado, uma comissão mista das duas casas está elaborando um projeto único, que será submetido à votação.
Ambas as versões aumentam o volume de subsídios à agricultura. Na versão da Câmara, US$ 193 bilhões serão gastos no setor nos próximos dez anos. Já no projeto do Senado, US$ 100 bilhões serão gastos em cinco anos.
Nas duas versões, foi introduzido um novo subsídio, batizado de pagamentos contracíclicos. O mecanismo é simples: o governo define preços-alvo para cada produto agrícola, e, cada vez que o mercado cai abaixo desses valores, paga a diferença ao produtor.
Críticos do subsídio afirmam que o novo instrumento vai impedir que produtores americanos reajam às oscilações de mercado de um ano para o outro. Isso porque os preços-alvo propostos são muito altos, e acima dos praticados atualmente no mercado dos EUA.
Hauser contesta essa avaliação. Ele explica que o pagamento é recebido pelos produtores independentemente de terem plantado ou não determinada commodity, com base na média de produção nos últimos cinco anos. (Robert Hauser deu entrevista ao repórter Renato Stancato, da Agência Estado).
O especialista afirma que o pagamento fixo aos produtores, outro subsídio muito criticado no mercado internacional, é igualmente inofensivo. Por esse mecanismo, produtores de várias commodities agrícolas - soja incluída - recebem recursos independentemente das condições do mercado, em um valor fixo. Novamente, o dinheiro é distribuído de acordo com a média de produção do agricultor nos cinco anos anteriores, e o governo americano não exige que ele plante a cultura no ano-safra em que recebe o auxílio.
Mesmo que esses subsídios não alterem a decisão de plantio do produtor, eles não o estariam capitalizando artificialmente em anos de preços baixos? Nem tanto, defende Hauser. Ele observa que esses recursos têm vínculos diretos com a área plantada de cada produtor. Por isso, os preços da terra estão subindo sem parar nos EUA.





