Oswaldo Petrin
A Caixa Econômica Federal (CEF) fechou 2001 no vermelho. Os números finais, que devem sair nos próximos dias, vão mostrar o tamanho do déficit, já admitido pelos dirigentes da CEF.
A clientela, e a sociedade em geral, não pretendem que a CEF, uma instituição pública com compromissos sociais, chegue ao final de cada exercício exibindo grandes superávits - como o fazem portentosos bancos privados, em verdadeiro acinte aos demais setores produtivos - que sobrevivem em dificuldade numa economia de risco.
Mas, certamente, não é nada confortável, para o correntista, o mutuário, fornecedores da CEF, enfim, para o próprio governo, verificar um balanço que expresse desempenho negativo nesse ou naquele setor. E não é a primeira vez que a CEF passa com água pelo pescoço, apesar dos lucros líquidos nos dois exercícios anteriores: 1990 e 2000.
No caso específico de 2001, a CEF diz ter empatado no primeiro semestre, mas mergulhou em dívidas no segundo. Além de não reveter o quadro desfavorável até junho/julho, ainda sucumbiu em perdas maiores. Certamente não é isso que clientes e sociedade querem para uma instituição - a única - que tem um perfil de apoio ao pequeno empreendedor e que trata da poupança da economia de menor renda. Ainda mais que a CEF foi apoiada, ano passado, pelo Tesouro, através de aporte de nada desprezíveis R$ 9,3 bilhões.
Os bancos, ao contrário da CEF, mais uma vez, exibem exageros como um crescimento acima de 22% no seu lucro líquido. É um ganho incompatível com o ambiente econômico quase adverso do ano passado, em que a maioria dos setores da atividade produtiva amargou perdas ou teve suas margens comprimidas.
As empresas, em quase todos os ramos, com poucas exceções, alternam balanços bons com fechamentos negativos. Sua performance expressa o risco inerente à atividade, atividade de risco do livre mercado. Mas os bancos não. Para eles não há tempo ruim, nem políticas monetárias mais exigentes ou menos brandas. Parecem acima dos cenários macroeconômicos; vivem outro mundo em que todos os negócios lhes favorecem.
No ano passado, por exemplo, para uma inflação - medida pelo IPCA, oficial do IBGE -, de 7,3% o lucro líquido dos bancos teve um crescimento de exatos 22,3%.
Isto na média porque o maior do ranking, o Bradesco, teve uma evolução no seu líquido de 25%, abocanhando aí cerca de R$ 2,170 bilhões - quase um milhão de dólares.
Quando os bancos ganham muito - porque o custo da sua mercadoria, o dinheiro se tornou alto demais -, então alguém perde. Ou todos pordem e só eles ganham. Raciocínio linear e simplista? Não. É quase uma equação fechada. Vide exemplo: ao mesmo tempo em que os bancos lucram tanto, os indicadores da inadimplência aumenta. Por sinal um desses indicadores está diretamente ligados aos bancos.
É o seguinte: o volume de cheques devolvidos por falta de provisão de fundos, aumentou 35% mais do que os valores - inversamente proporcionais - do lucro dos bancos. No ano passado, enquanto os bancos lucravam tanto, em cada mil cheques compensados, 14,5 estavam sem fundo.
A inadimplência cresce entre pessoas físicas e empresas. Nessa desporporção entre lucro dos bancos e prejuízos nos damsis segmentos, a atividade deixa de ser um jogo de mercado para ser predatória e concentradora de renda.





