Controlada a ferro e fogo e pelo estômago do consumidor de baixa renda, a inflação capitulou em janeiro, mês recessivo e de ressaca para os orçamentos que explodiram no entusiasmo de dezembro.
Não é a inflação real, convenhamos, mas é a inflação oficial, que oferece parâmetro para aferir outros índices. Portanto, é o que há, em termos de indicador econômico.
Os critérios utilizados para medir o comportamento dos preços podem, invariavelmente, escamotear dados interessantes e falsear a realidade. Mas, por vezes, também podem fazer transparecer números acima do real. Por tanto, ainda que bem intensionados os índices por vezes são falsos.
Não é isso que se discute, porém. O que se questiona é o preço social da manutenção desses números, comprimidos como uma mola espiral.
A inflação de janeiro ficou em 0,52% segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador calculado pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em dezembro de 2001, o índice havia sido de 0,65%. No acumulado dos últimos 12 meses até janeiro, a taxa alcançou 7,62%. Em 2001, o IPCA fechou em 7,67%.
Os alimentos foram os produtos que mais pressionaram a alta do mês, com elevação de 0,85%, devido a problemas climáticos, como a chuva no Sudeste e a seca no Sul.
Também contribuiu para a elevação do IPCA, o preço do gás de cozinha (que subiu 17,87%), após o fim dos subsídios sobre o seu preço. Porém, este item tem menor peso no cálculo do indicador do que os alimentos, por exemplo.
O IBGE também apurou uma alta de 1,34% nos preços das passagens de ônibus urbanos. Essa variação deveu-se ao reajuste de 15% em Belo Horizonte no final de dezembro.
A tarifa de energia elétrica subiu 4,51% em janeiro. As razões foram o reajuste de 18,63% da Cerj, distribuidora do Rio de Janeiro, e também do reajuste extraordinário de 2,9%, concedido pelo governo às distribuidoras para compensar as perdas com o racionamento.
A gasolina caiu 9,92% após a redução dos preços das vendas das refinarias para distribuidoras, que foi de 25%. O resultado, no entanto, está distante dos 20% estimados pelo governo.
Entre as regiões pesquisadas, a maior taxa de inflação foi verificada em Belo Horizonte, de 1,17%. O aumento deve-se ao reajuste nas tarifas de ônibus.
A menor taxa de inflação foi verificada em Goiânia, com variação de 0,04%.
O IPCA é calculado com base no consumo de famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Goiânia e Brasília.
Este índice serve como referência para as metas de inflação adotadas pelo governo federal. A meta acertada com o FMI (Fundo Monetário Internacional) é que o IPCA fique em 3,5% em 2002, com possibilidade de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central -responsável pelo controle das metas de inflação a partir da definição dos juros básicos do país - já divulgou que espera uma inflação de até 4% em 2002.

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