USDA divulga novo relatório em que expressa a preocupação dos EUA com relação à soja e milho brasileiros.
Que a expansão da produção brasileira de soja e milho e o consequente aumento da oferta no mercado internacional sempre preocupou os Estados Unidos, não é novidade. Ano passado, na Associação dos Produtores de Dekalb, tive oportunidade de constatar tal preocupação - que o empresário norte-americano não se preocupa em disfarçar, quando fala de perspectivas do negócio
Também na Chicago Board of Trade, a presença da soja brasileira no mercado internacional é um fato importante.
O que intriga agora é o peso que o governo norte-americano está conferindo à concorrência do produto brasileiro. O aumento dessa preocupação está expresso no relatório do USDA sobre a soja e o milho brasileiros, duvulgado ontem. Os Estados Unidos não disfarçam a dissão que ocorre no momento: não basta subsidiar a soja norte-americana.
Relatório dos USDA coincide com a proposta (de imediato irrecusável para o produtor brasileiro) de uma ONG (organização não governamental) representante de produtores norte-americanos e canadenses. A proposta foi amplamente divulgada dias atrás: US$ 165 mil/ha para quem não plantar soja. Claro que não é só isso e que é necessário o arcabouço jurídico desse contrato que deve ter com muitas variáveis. Mas a proposta existe. Entrou pela porta da frente, via Confederação Nacional da Agricultura.
Alguns tópicos do estudo cuja notícia estamos divulgando neste caderno: o USDA alerta que a competitividade da soja e do milho brasileiros deve comprometer o crescimento das exportações dos Estados Unidos nos próximos dez anos, o que justificaria a necessidade de Washington de continuar subsidiando a produção local para não perder mercado.
As exportações de soja do Brasil na última década aumentaram quase 100% e poderão continuar crescendo em média 4% por ano até 2010, quatro vezes mais que a média mundial. Enquanto isso, as exportações brasileiras de óleo de soja também devem dobrar em dez anos, segundo as estimativas de Washington.
O documento inclui o queos agricultores norte-americanos mais comentam: a fronteira agrícola brasileira. De acordo com o documento, o motivo para a expansão da produção no Brasil nos próximos anos é a disponibilidade de terras que ainda podem ser cultivadas, especialmente no Centro-Oeste. Os Estados Unidos estimam que ainda existam 547 milhões de hectares de terras ainda intocadas no País que poderão ser aproveitados na agricultura. O cálculo aponta o Brasil como o detentor da maior área virgem no planeta.
Uma inquietação: ‘‘Nesse ritmo, como a produção norte-americana poderá se manter competitiva?’’, questiona o relatório, visivelmente alarmado pela produtividade brasileira.
O Brasil tem que se preocupar comercialmente, cuidar bem de sua produção, buscar competitividade - e cuidar da fitossanidade. O mercado vai jogar pesado.

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