Dois fatos expressam a preocupação do governo dos EUA com a expansão das exportações brasileiras, notadamente a Soja. E servem de alerta para a guerra comercial daqui para frente, à medida que o Brasil amplia suas fronteiras de produção e ocupa espaço no mercado. O Brasil briga como pode contra subsídios norte-americanos. E associações de produtores norte-americanos e canadenses - apoiadas por aporte de recursos dos seus governos - propõem redução de plantio do grão. Eles atacam em duas frentes: subsidiam seus produtores e, agora, chegam a oferecer vantagens para que os nossos limitem seus plantios. Numa análise superficial e resumida é assim que as coisas podems ser vistas:
1) O Brasil irá apresentar hoje à Organização Mundial do Comércio (OMC) os argumentos para que os árbitros internacionais avaliem a lei de dumping e subsídios dos Estados Unidos. Juntamente com outros 11 países, o Itamaraty acusa Washington de não respeitar as regras internacionais.
(O dumping é caracterizado quando uma empresa exporta seus produtos com preços inferiores aos cobrados no mercado interno). Sobre o assunto veja mais neste caderno de Economia.
2) Conforme este jornal e toda a imprensa divulgaram, a organização não governamental (ONG) Focus on Sabbatical apresentou na semana, na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília, a proposta de criar um fundo com a finalidade de pagar antecipadamente aos agricultores brasileiros US$ 165 por cada hectare de soja que deixarem de plantar.
Várias lideranças e técnicos ouvidos ontem pela repórter Ana Paula Nascimento, manifestaram sua surpresa com a proposta.
Criada há dois anos, a ONG, que reúne 3.500 produtores canadenses e 500 norte-americanos, considera fundamental a adesão do Brasil para se buscar soluções para a permanente queda dos preços e da renda dos produtores de soja. Além do Brasil, a mesma proposta inclui produtores dos Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália, também para a redução de produção de trigo e milho.
Em estudos apresentados pela entidade, haveria comprovação de que o excedente mundial das três commodities chega a 20%, e que no caso do Brasil, o ideal seria que a cada quatro anos houvesse redução de 10% da área de soja.
Na avaliação do presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, João Bosco Umbelino dos Santos, a proposta é séria e para o produtor ‘‘é tentadora’’. ‘‘A proposta é extremamente inovadora e pegou todo mundo de surpresa. Para os produtores ela é tentadora, porque o agronegócio brasileiro está indo muito bem, mas quem produz continua recebendo pouco.’’
Segundo ele, a remuneração de US$ 165 dólares/ha seria mais que suficiente, sendo que atualmente o produtor brasileiro está recebendo em média R$ 23,00/saca.
Sobre a lei (‘‘emenda Byrd, do senador Robert Byerd) que gerou o questionamento do Brasil na OMC, ela prevê que as taxas coletadas pela aduana dos Estados Unidos com o impostos de medidas antidumping sejam repassadas para as próprias empresas que haviam feito o pedido inicial de dumping.

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