Nem boicote aos produtos têxteis e ao frango brasileiros que entram na Argentina. Nem restrições ao trigo argentino, que abarrota nossos moinhos, apesar da produção nacional.
Aparentemente os dois países concordam em acabar com contenciosos comerciais.
O Brasil e a Argentina chegaram a um ‘‘acordo de paz’’ para pôr fim aos contenciosos comerciais que complicaram as relações dos dois países nos últimos meses.
Segundo informações que circularam nas agências France Press e Estado, o acordo foi obtido durante a visita de uma delegação brasileira a Buenos Aires na semana passada. As duas delegações combinaram que não vai mais haver novas disputas comerciais, e vão tentar resolver os processos em andamento.
Ninguém tem dúvida da inconsistência desse acordo que pode ser rompido a qualquer crise de humor dos nossos vizinhos. Tanto que as medidas unilaterais adotadas no Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) deverão ser revistas. Mas algumas devem ser retiradas, como resolução 258, criada pelo ex-ministro da Economia argentino Domingo Cavallo para em última instância encarecer os produtos brasileiros e suprimir sua margem de competitividade. Essa medida irritou em particular ao governo brasileiro e quase levou a uma suspensão do diálogo com a Argentina.
Outro exemplo é a lista de preços mínimos, utilizada pela Argentina para calcular os impostos devidos por produtos importados do Brasil.
A delegação brasileira foi comandada pelo representante especial para assuntos do Mercosul, Carlos Alberto Simas Magalhães; já pela parte argentina, participaram, entre outros, o secretário de Assuntos Econômicos, Comerciais e de Relações Internacionais da chancelaria, Martín Redrado, e o secretário da Indústria do futuro ministério da Produção, Eduardo Braun.
Outra missão do governo brasileiro também viajou a Buenos Aires na semana passada para negociar medidas de curto prazo destinadas a aliviar a crise argentina, como a retomada do crédito comercial.
Empresários brasileiros estimam que os argentinos lhes devem cerca de 2 bilhões de dólares, em particular pelas modificações do regime cambiário e o ’corralito’, que limita o saque de dinheiro dos bancos e dificulta sua transferência ao exterior.
As autoridades argentinas teriam pedido mais tempo para solucionar o problema. Enquanto isso, está sendo analisada a reativação do Convênio de Crédito Recíproco, uma espécie de câmara de compensação entre os bancos centrais da América Latina.

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