Conforme os executivos financeiros haviam prognosticado nos últimos dias o Conselho de Política Monetária (Copom) manteve ontem a taxa de juros básicos em 19%. Com base nessa medida, algumas financeiras passaram a trabalhar com previsão de que o aumento das taxas ao consumidor fique bem perto de 10% ao mês neste ano.
Também conforme se esperava, foi a preocupação com a alta da inflação que levou o Banco Central a manter os juros básicos. É a velha história dos juros defensivos. Mesmo que não tivesse havido o agravamento da crise argentina, o governo brasileiro adotaria medidas defensivas, com a Argentina no limite, o motivo - na visão do Banco Central - foi mais do que suficiente para o Brasil manter o arrocho monetário.
As taxas de juros básicos inibem o mercado a trabalhar com taxas mais flexíveis. Quando a Selic é reduzida, o mercado demora para flexibilizar suas taxas. Porém, quando a taxa básica é fixada em patamares altos, como agora, os agentes financiadores entendem ser necessário cautela.
É verdade que os juros, três anos atrás, andavam acima dos 40%. Mas os analistas acham que, mesmo assim, ainda há um excesso de medo por parte da equipe econômica que prefere manter a economia no gesso a permitir aumento do consumo.
A previsão das indústrias é que se os juros no mercado permaneceram altos, como ano ano passado, há uma tendência de retardar o período recessivo tradicional dos primeiros três meses do ano.
Os juros já estiveram mais baixos: em janeiro de 2001, taxa caiu de 15,75% para 15,25% ao ano. Desde então, a disparada do dólar e a alta da inflação fizeram com que o Copom aumentasse os juros por cinco vezes. A taxa está em 19% ao ano desde julho. Mesmo com o aumento dos juros, a inflação de 2001 ficou em 7,67%, acima da meta fixada pelo governo -4%, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Neste ano, a meta é de 3,5%, também com margem de dois pontos. O BC projeta uma inflação de 3,7% para 2002. Desse número, o reajuste das tarifas públicas deve responder por 1,6 ponto.
Para este ano, a expectativa de uma recuperação no nível de atividade econômica pode agravar esse quadro. Quanto mais a economia cresce, mais espaço as empresas têm para repassar a alta do dólar para seus preços, pressionando a inflação.
Um dos objetivos do BC ao manter os juros elevados é justamente controlar o ritmo de crescimento da economia, para evitar que um forte aquecimento no nível de atividade leve a um aumento da inflação. (Veja nesta página).

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