O crescimento das vendas do varejo, ano passado, anunciado ontem pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pode não ser o esperado (no início do ano foi projetado crescimento de 1,5%), mas não chegou a decepcionar, considerando o contexto macroeconômico: alto índice de desemprego e com uma economia informal redendo abaixo das necessidades de sobrevivência das pessoas. Enfim, um ano difícil, de arrocho monetário, que inibiu o consumo.
Pelos dados da Abras, o setor teve crescimento real de 0,4% em relação ao ano anterior e faturou R$ 72,5 bilhões. Na verdade, num ano marcado por sobressaltos de diversas naturezas, o incremento foi comemorado. segundo a economista da entidade, Fátima Merlin.
Enquanto isso, um consultor de empresas dessa área, afirma que o ano foi marcado pelas promoções. As promoções, questionadas pelo consumidor, já não alavancam as vendas como antigamente, mas garantem o giro e mantêm o cliente de renda modesta. O consultor acha que os supermercados vão ter que começar a rever uma série de itens, da logística dos estoques à disposição das mercadorias nas gôndolas.
E Fátima Merlin - em entrevista à Agência Estado - afirma que em dezembro de 2001 o setor de auto-serviço teve mais procura por produtos nacionais e frutas da época, apontando um Natal mais modesto do que em outros anos.
Os vinhos estrangeiros e as frutas secas acabaram entrando em promoção em dezembro nos supermercados por falta de procura. Foi o Natal da pechincha, define Fátima à AE. O levantamento da Abras constatou que as vendas de dezembro foram 3,65% menores do que o mesmo período de 2001.
O comportamento mais retraído do consumidor acabou estimulando os supermercados a investir em programas de facilidades de pagamento, com prazos maiores e aumento do número de ofertas, diz Fátima. A estratégia também afetou o resultado do ano.
A economista da Abras acredita que a Copa do Mundo e as eleições devem incentivar um aumento de vendas de alguns produtos. No caso do futebol, o comércio de refrigerantes e bebidas deve ser estimulado, diz Fátima. Para ela, o evento deve tirar a carga negativa do terrorismo e atentados que assolaram o mundo em 2001.
A Abras chegou a projetar em outubro um aumento de 1% das vendas, quando o impacto do atentado de 11 de setembro parecia ter sido absorvido pelo varejo, assim como o descolamento da situação brasileira em relação à Argentina. Havia ainda a perspectiva do ingresso do décimo terceiro no final do ano. Mas a dificuldade do consumidor foi maior.

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